Histórias do fã-clube
A surpresa para o público que for ao show ''Baú do Raul'', hoje à noite no The Musik Hall, é a exposição com a memorabilia do autor de ''Gita''. A mostra reúne peças do acervo do fã-clube oficial Raul Rock Club, de São Paulo, cujo presidente Sylvio Passos estará presente no show-tributo ao ídolo.
''Toda essa coleção foi sendo formada aos poucos ao longo de 20 anos'' conta Passos. ''Todo mundo que teve contato com o Raul me forneceu alguma coisa, desde as luvas e os sapatinhos de quando ele era bebê até o pijama que ele usou durante a entrevista coletiva na gravadora Warner para o lançamento do disco 'A Panela do Diabo' (1989), gravado com Marcelo Nova''.
O Raul Rock Club funciona como nave-mãe para os demais fã-clubes do cantor espalhados pelo país. Foi fundado em 28 de junho de 1981, dia do aniversário do homenageado. Antes, Passos já montara com amigos fã-clubes de bandas internacionais de rock como Led Zeppelin e King Crinson.
''Na época, eu detestava Raul Seixas e a música brasileira em geral'' revela ele. ''O Raul fazia muito sucesso e era tocado em todas as rádios. Depois, na adolescência, meus neurônios se abriram e eu fui descobrindo o rock produzido no país. Aí, acabou aquela coisa de garotinho radical e passei a ouvir as músicas do Raul com mais atenção e fui conquistado por suas idéias''.
Passos conheceu o ídolo em 1981. Logo a admiração virou amizade. ''Eu participei de todos os momentos da vida dele, sóbrios e não tão sóbrios'' conta. ''Meu envolvimento se estendia dos problemas domésticos aos palcos. Em alguns shows, fiz backing vocals. Atuei também quase como um empresário fazendo a ligação com as gravadoras. Às vezes ele me chamava de assessor, dizendo que eu sabia mais da vida dele que ele próprio''.
Quando o cantor morreu, em 1989, Sylvio Passos largou o emprego de promotor de vendas da empresa Círculo do Livro para se dedicar integralmente ao fã-clube. Desde então, seu ganha-pão vem dos eventos que organiza em torno da figura de Raulzito, cuja obra homenageou com a publicação dos livros ''Raul Seixas Por Ele Mesmo'' (1990) e ''Raul Seixas Uma Antologia'' (1992).
Para ele, a obra do Maluco Beleza é atemporal, creditando a contemporaneidade ao cunho filosófico que nutria suas canções. ''Ele não era um artista maquiado, criado em laboratório para aparecer na TV. Raul era autêntico, original, verdadeiro. A imagem de doidão era apenas a do personagem, porque na intimidade ele era até careta'' diz. Para saber outras informações sobre o fã-clube, vale dar uma olhada no site www.raulrockclub.com.br.(N.S.)





