Histórias de solidão
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 06 de outubro de 2011
Rafael Ceribelli <br> Reportagem Local 
O novo filme do premiado roteirista e diretor Jorge Durán, ''Não se Pode Viver sem Amor'' - que estreia esta semana na programação do Cine Com-Tour/UEL - é uma experiência que foge do realismo, tanto na sua estética quanto na junção incomum de suas histórias, entrelaçadas por elementos fantásticos e pontuados pela tristeza da solidão.
No longa, somos apresentados a Gabriel (Victor Navega Mott), um garoto de uma cidade do interior que, ao lado de Roseli (Simone Spoladore), viaja de uma cidade interiorana até o Rio de Janeiro para procurar seu pai, também chamado Gabriel. Perdidos no meio de uma cidade nada maravilhosa - que carrega a fotografia, em um retrato pouco comum do Rio, de aspectos cinzas e suburbanos.
A dupla perambula sem destino e, no meio desse caminho, conhecemos o professor Pedro (Ângelo Antonio), que trabalha no táxi de seu pai (Rogério Froes) e João (Cauã Reymond), um jovem desiludido e que estuda para passar em um concurso público, e é apaixonado por Gilda (Fabiula Nascimento), uma dançarina de uma boate que sofre com a falta de dinheiro e com fantasmas de seu passado.
A história de todos esses personagens toma caminhos diversos, que encontram um ponto comum na desesperança presente em cada uma dessas vidas que, no meio do caos da própria existência, sempre refletem a esperança de um futuro inalcançável, feliz e perene. Infelizmente, a mensagem nunca fica clara e é atrapalhada pelo direcionamento estético assumido pelo cineasta, e a conclusão do longa pode soar até como sendo anti-climática.
''Não Se Pode Viver Sem Amor'' recebeu dois prêmios no 14º Cine-PE Festival do Audiovisual de Recife em 2010 e foi selecionado para os Festivais de Lima, Gramado e Montreal. O filme também foi exibido em mostras não-competitivas do Festival Internacional de Pusan e para a Mostra Novocine na Espanha. O filme dividiu opiniões entre público e crítica.


