Histórias de quem faz história na tevê
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domingo, 20 de dezembro de 2009
Mariana Trigo<br> TV Press 
Manoel Carlos é um dos profissionais mais multifacetados da história da televisão brasileira. No ar com ''Viver a Vida'', na Globo, o autor conserva seus extensos trabalhos na memória como quem organiza livros numa estante. Na tevê, conhece todos os ofícios. Desde o produtor de novelas, passando por diretor de programas musicais, jornalísticos e teleteatros, trabalhos como ator e, seu maior êxito: seu extenso trabalho como autor de novelas e minisséries. Só na Globo coleciona produções desde 1978, quando estreou com ''Maria, Maria'', seguida por ''A Sucessora'', ambas adaptações literárias. Foi justamente a literatura que conduziu a vasta carreira do paulistano de 76 anos. De suas referências de infância, retirou grande parte de sua inspiração. ''O que mais gosto de fazer na vida é escrever. Fazia poesias, crônicas, contos. E foi dessa forma que comecei a ganhar mais dinheiro. Já era muito bem pago no início da tevê, quando larguei a direção e a atuação para virar autor'', lembra.
Mas, antes de se dedicar apenas à escrita, aos 18 anos de idade, Maneco chegou a ganhar um prêmio como ator revelação. ''No mesmo ano que a Cleyde Yáconis ganhou!'', diverte-se.
Já como diretor, sua lista é quase interminável. Desde os programas na TV Excelsior no início da década de 60, como as edições anuais do ''Brasil 60'', passando por ''O Fino da Bossa'' e ''Essa Noite Se Improvisa'', Maneco também dirigiu o jornalístico ''Fantástico'', em 1972. Neste período, quando a tevê colorida começava a ser difundida no País, o então diretor lembra dos conselhos de Boni, diretor artístico da Globo neste período. ''Ele queria que a transmissão estivesse boa em preto e branco, pois apenas 8% da população tinha tevê colorida'', recorda.
De lá para cá, sua imersão nos personagens cada vez mais lapidados entre dramas de classe média alta se multiplicaram, até Maneco começar a ambientar suas histórias no Leblon, bairro da Zona Sul do Rio. Sua primeira trama na região foi ''História de Amor'', exibida em 1995, onde Regina Duarte viveu a primeira de suas três Helenas, interpretadas, posteriormente, nas novelas ''Por Amor'' e ''Páginas da Vida''. ''Essas novelas tinham elencos enormes. Gosto de transitar pelo universo doméstico e preciso de personagens de porteiros, empregadas, necessito de relações pessoais e comportamento'', argumenta.
Maneco também é atraído por intensos dramas pessoais, como doenças e histórias de superação, retratadas em novelas como ''Laços de Família'' e ''Viver a Vida'', no ar atualmente. Mas, na contramão da dramaticidade latente, o autor já se deliciou com sua vertente musical em trabalhos inusitados. Durante anos, dirigiu shows em boates. Na década de 1960, comandou a abertura de um espetáculo com Edith Piaf, escreveu o show que antecedia a entrada da cantora Amália Rodrigues em sua temporada no Brasil e chegou a assinar a direção do primeiro show do Chico Buarque no Canecão, no Rio, em 1971. No ano seguinte, foi diretor geral da apresentação de Ray Charles no Golden Room do Hotel Copacabana Palace, no Rio. Nesta ocasião, o ator Carlos Zara apresentava o músico. ''Não dava para ninguém entrar no camarim do Ray por causa da grande nuvem de fumaça de maconha. Mas ele tinha autorização legal para fumar a erva como remédio'', lembra, aos risos.


