‘‘Só porque em 1928, num baile de carnaval, Bento perguntou se eu queria casar com ele, hoje, contando nos dedos, tenho quarenta e dois descendentes. Somando os agregados por casamentos, chegam mais de sessenta’’. Com este parágrafo a escritora Flora Camargo Munhoz da Rocha dá início ao livro de memórias ‘‘Entre Sem Bater’’, editado pela Secretaria de Estado da Cultura, por intermédio do Departamento de Editoração.
A autora, que em outubro completa 87 anos, faz um relato de sua vida nas 228 páginas do volume. Porém, como ela mesma diz, suas memórias ‘‘inevitavelmente estão entrelaçadas com as de Bento’’(Munhoz da Rocha Neto), um dos homens públicos mais brilhantes do Paraná. Casaram-se à meia-noite do dia 17 de abril de 1929. Por que tão tarde? Nem Flora se lembra mais.
Momentos alegres e tristes, nascimentos e mortes formam o painel. ‘‘Uma vida é muito tempo. Muito caminho a percorrer’’, escreve. Dos tempos remotos chegam imagens das lavadeiras com trouxas nas cabeças, das roupas de banho no mar - blusão e bombacha -, feitas com áspero tecido marinho e enfeitadas com cadarço branco.
Ferro aquecido a brasa, fogão de lenha, barras de gelo em lugar de geladeira. Cenário diverso do computador que Flora analisa com curiosidade, muitas décadas após desses idos da juventude. ‘‘Anos acumulados são implacáveis’’, sentencia a autora. ‘‘Entre Sem Bater’’, com capa de Ricardo da Rocha Guimarães, teve sua tiragem de mil exemplares destinadas à autora.

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