Histórias de caçador
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terça-feira, 22 de janeiro de 2002
Nelson Sato Reportagem Local 
O biólogo autodidata Luís Juliani vai festejar seu aniversário hoje em grande estilo. Ele completa 78 anos lançando o livro Memórias de um Caçador, com direito a sessão de autógrafos na Biblioteca Pública de Londrina. A celebração começa às 20 horas.
Como diz o título, o livro narra suas aventuras na mata numa época em que ainda não havia leis proibindo a caça de aves silvestres, que era uma prática comum entre lavradores. O volume reconstitui os episódios pessoais tendo como pano de fundo o desbravamento e a colonização do norte do Paraná. Sou testemunha ocular da história diz ele.
A caçada é o elo esquecido pelos pesquisadores. Naquele tempo, Londrina era um sertão e tudo o que existia, existia em abundância. Ninguém pensava em preservar. Caçávamos por esporte, mas também para reforçar a alimentação. O relato começa em 1933 com o desembarque de sua família em Londrina, vinda de Nova Europa, interior de São Paulo.
E termina em 1986, ano em que colocou ponto final no texto. Luis, que é filho do fotógrafo José Juliani, conta que a idéia de escrever surgiu após uma conversa nostálgica com um amigo, na qual lembraram dos prodígios do passado embrenhados na floresta. Caçar é uma atividade perigosa salienta. Escapei da morte várias vezes subindo em árvores com risco de cair. Há o perigo também da espingarda disparar. No livro, conto um caso de um acidente desse tipo.
A caça ao macuco ocupa boa parte do relato. É enfatizada, inclusive, no prefácio assinado por Milton Menezes, já falecido e que foi duas vezes prefeito de Londrina (de 1951 a 1955 e de 1959 a 1963). Aves como o mambuaçu, o urú e o jacú também ganham destaque ao longo das páginas. O autor acrescenta que suas últimas incursões na floresta ocorreram no Paraguai, para onde foi depois que a caça a aves silvestres passou a ser proibida no Brasil.
Nos últimos anos, tem se dedicado à criação, observação e estudo de abelhas. Tenho oito espécies em meu quintal revela. Juliani levou dois anos para escrever seu livro. Depois, tentou em vão publicá-lo. Fiquei ansioso, mas não consegui patrocínio lamenta. Dezesseis anos depois, suas memórias finalmente saem da gaveta com verbas da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, Prefeitura Municipal e Secretaria Municipal de Cultura.
O livro foi produzido por Vanda Moraes, editado por Cely Norder e contou com coordenação editorial de Chistine Vianna.


