Histórias da Vila Matos
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quinta-feira, 24 de outubro de 2013
Nelson Sato<br>Reportagem Local 
A vida boêmia nos cabarés de Londrina das décadas de 50, 60 e 70 já foi narrada em livros e peças de teatro. Chegou a vez do cinema resgatar a época de ouro da lendária Vila Matos, cujo apogeu e decadência refletiu o ciclo da cafeicultura no Norte do Paraná.
O curta-metragem "Rubras Mariposas", com direção e roteiro de Anderson Craveiro, estreia hoje, às 21h, na sala 5 do Cinema Lumière do Royal Plaza Shopping. É o primeiro filme realizado pela produtora Clareira Filmes, com patrocínio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic).
Embora de ficção, traz cenas inspiradas em fatos verídicos. "Ele mostra um pouco o universo da prostituição na cidade, as histórias fantásticas e o glamour que havia na época. Tudo contado pelas memórias de uma cafetina, que lembra situações vividas nos cabarés entre o auge e o declínio da economia cafeeira na região", diz o diretor.
A cafetina é protagonizada pela atriz Maria Alice Vergueiro, 78 anos, considerada a "dama do teatro alternativo paulistano" com atuações marcantes em peças de Brecht, Beckett e em espetáculos dos grupos Oficina e Ornitorrinco. Atualmente faz parte do grupo Pândega, que trouxe o espetáculo "As Três Velhas" para o Filo (Festival Internacional de Londrina) de 2011. Segundo o diretor, ela estará presente hoje na estreia ao lado do ator Luciano Chirolli (seu parceiro em várias peças), que também participa do curta.
O dramaturgo, diretor e ator Mário Bortolotto é outro que aparece no filme, mas discretamente numa ponta fazendo alusão/citação ao delegado Bukowski, que viveu de fato em Londrina na década de 50. "Na primeira versão do roteiro, seu personagem tinha uma participação maior em cenas que revelavam sua hipocrisia ao agir como um carrasco com as prostitutas durante o dia e frequentar os prostíbulos à noite. Infelizmente, por causa de reduções no orçamento, tivemos que cortar diálogos e cenas", conta Craveiro.
O elenco reúne outros 120 figurantes, que trabalharam em esquema colaborativo e sem cachês. "Muitos forneceram até o figurino, tudo pelo prazer de fazer cinema", sublinha o diretor. A maioria das cenas foi rodada na Vila Cultural Cemitério de Automóveis, onde cenários foram erguidos para reproduzir o ambiente de um cabaré. As locações externas foram o Museu de Arte (com a utilização de sua arquitetura original do período em que o prédio funcionou como Estação Rodoviária), a fazenda Solana da cidade de Arapongas (PR) e o Lago Igapó.
As filmagens foram realizadas ao longo de oito dias de 2011. Craveiro revela que a primeira inspiração para o filme foi uma passagem do romance "Terra Vermelha", do escritor londrinense Domingos Pellegrini. "É o trecho em que ele narra uma passeata de prostitutas. Quando li, imaginei cenas. Depois fui pesquisar para comprovar a veracidade daquilo e constatei que houve uma manifestação de cerca de 10 prostitutas que saíram às ruas em protesto contra a desocupação da Vila Matos para a construção da atual rodoviária. Foi a base para o filme. O livro 'Noites Ilícitas', do historiador Edson Holtz Leme, também foi importante", salienta.
Entre as influências estéticas usadas para o trabalho, ele destaca o surrealismo. "Há momentos surreais no filme ligados a delírios da bebedeira, aos efeitos de virar a noite", assinala. "Rubras Mariposas" não traz uma história linear, mas várias histórias. "É mais para o espectador sentir aquele ambiente do que para entendê-lo", diz. O curta tem 18 minutos e 30 segundos.
Serviço:
Estreia do curta-metragem "Rubras Mariposas"
Quando - Hoje às 21h
Onde - Sala 5 do Cine Lumière do Royal Plaza Shopping (R. Mato Grosso, 310), em Londrina
Informações - http://rubrasmariposas.wix.com/rubras


