Histórias da música em livro
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Jotabê Medeiros<BR>Agência Estado 
O cantor inglês Paul Di'Anno, que integrou o Iron Maiden durante quatro anos, vende como água uma autobiografia que acaba de ser relançada, ''The Beast'' (John Blake Publishing, paperback, US$ 12). Mas não se orgulha dela. ''Não é sobre música, é sobre mulheres e drogas. Eu fechei aquelas portas, as coisas mudaram. Sim, tenho alguns arrependimentos, não quero meus filhos perto daquilo. Foi tudo estúpido'', diz.
Di'Anno, que está em turnê pelo Brasil, fala de um tempo em que foi preso por tentar matar uma namorada, fazia sexo grupal, andava armado com uma Uzi e batia nos colegas de banda - quase matou um deles. Corintiano que já viveu alguns meses em São Paulo, sabe que a crônica da vida na música tem um preço.
Para as editoras, entretanto, é um preço que parece valer a pena pagar. Nunca se publicou tanta biografia e crônica do pop quanto agora (e também do jazz). Alguns lançamentos têm estofo, como é o caso de ''Ponto Final - Crônicas sobre os anos 1960 e suas desilusões'', de Mikal Gilmore. São perfis (alguns deles estão entre os melhores obituários de imprensa) de astros de rock e da cultura pop publicados nos últimos 15 anos pelo autor, ensaísta de fôlego que frequenta páginas da Rolling Stone americana.
Falando sobre a vida e a morte do poeta beat Allen Ginsberg, Jerry Garcia, George Harrison, Johnny Cash, Hunter Thompson e outros, ele analisa a própria sociedade em que esses talentos se desenvolveram, e como inscreveram sua arte em meio à convulsão de suas vidas. ''O rock fala sobre desejos e perdas, coloca em pé, sem restrições, valores culturais e políticos, e é bom demais de ouvir, sozinho ou em grupo'', diz o autor, que considera a habilidade de falar sobre o tema ''uma dádiva''.
Outro especialista em cultura pop, o jornalista alemão Willi Winkler está publicando no Brasil ''Mick Jagger e os Rolling Stones'' (Larousse). Tradutor de livros de Updike, Burgess e Bellow, foi redator da ''Der Spiegel'' e já produziu um volume sobre Bob Dylan. Ele analisa a longevidade dos Rolling Stones.
Raros personagens da música tiveram a vida mais esquadrinhada do que o trompetista, cantor e compositor Louis Armstrong (1901-1971). Sua infância pobre, a musicalidade excepcional, a visão de futuro. Mas Terry Teachout, colunista do ''Wall Street Journal'', não se intimidou e escreveu elogiado volume sobre o autor, ''Pops, a Vida de Louis Armstrong'', que a editora Larousse está lançando no Brasil.


