Para historiadores, a minissérie global ‘‘O Quinto dos Infernos’’ peca porque é uma ficção que se baseia em fofocas que envolveram a família real no Brasil.
‘‘O autor superdimensionou histórias dos bastidores da corte portuguesa. Ele mistura fatos da vida privada de personagens importantes, como dom João 6º que não era uma raposa no governo, mas também não era um homem banal como mostra a série, com a vida pública’’, diz o historiador Sidney Ferreira Leite.
Para Leite, em minisséries como ‘‘O Quinto’’, corre-se o risco de deixar mais famosa uma história cheia de fuxicos do que a história real. ‘‘É preciso lembrar que nesse horário há muito jovens assistindo. Ela pode fazer rir, mas tira o compromisso com fatos importantes. É justamente o contrário de ‘‘A Muralha’ (exibida em 2000 pela Globo), que era uma ficção de época, mas ajudou a conhecer um pouco a história da formação de São Paulo.’’ As críticas à série não querem dizer que certos fatos engraçados não ocorreram. ‘‘Pelas diferenças climáticas entre Portugal e Brasil, imagina-se que a viagem da corte até aqui tenha sido algo muito mais cômico do que trágico, mas o problema é quando há uma simplificação dos acontecimentos em geral’’, diz a professora Vera Lucia Ferlini.
O historiador José Jobson Andrade de Arruda é mais radical. ‘‘Assisti a primeira vez e não consegui terminar de ver a segunda. Uma emissora como a Globo deveria informar e não fazer piadas.’’
Atento às esperadas críticas, o autor Carlos Lombardi tem uma resposta certeira. ‘‘Informar nunca foi nossa pretensão, mas sim divertir. Não somos um programa educativo, somos uma obra de ficção.’’
Polêmicas à parte, ‘‘O Quinto dos Infernos’’ alcançou nos primeiros quatro capítulos média de 31 pontos no Ibope.

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