A história dos bastidores de "Liberdade, Liberdade", novela que estreia segunda-feira, às 23 horas, é digna dos mais dramáticos folhetins. Livremente inspirada no livro "Joaquina, Filha do Tiradentes", de Maria José de Queiroz, a sinopse assinada por Márcia Prates estava aprovada desde maio do ano passado. No entanto, durante a pré-produção, o texto dos primeiros capítulos foi reprovado pela Globo por conter contradições de cunho histórico.
Para deixar tudo mais coerente, Glória Perez foi chamada para supervisionar a novela, mas teve de parar o trabalho para se concentrar em seu próximo projeto. Em seguida, Euclydes Marinho topou a empreitada, mas também precisou deixar "o barco" pelo mesmo motivo.
Entusiasta da ideia de falar de liberdade e independência a partir dos dilemas do mártir da inconfidência mineira e sua filha, mas com dúvidas sobre o rumo da história, a direção de teledramaturgia da emissora afastou Prates do projeto, dando-lhe apenas a autoria do argumento. E entregou o folhetim nas mãos de Mário Teixeira, que recentemente foi coautor do sucesso "I Love Paraisópolis". "Do que já havia sido desenvolvido, utilizei apenas o argumento mesmo. O trabalho foi realizado a partir de outra 'pegada', novos dramas e personagens. Sem qualquer envolvimento da antiga equipe de criação", ressalta Teixeira.
Em 67 capítulos, a trama acompanha de forma ficcional a trajetória de Joaquina, papel vivido por Mel Maia na primeira fase e depois defendido por Andreia Horta. Da infância feliz e livre ao lado dos pais, Tiradentes e Antônia, de Thiago Lacerda e Letícia Sabatella, passando pelos momentos conturbados onde ecoaram os gritos de liberdade do então Brasil colônia e da resposta brutal da coroa portuguesa, que culminam com a morte de Tiradentes por enforcamento e o misterioso assassinato de Antônia. Resgatada pelo Fidalgo Raposo, de Dalton Vigh, Joaquina se refugia em Portugal, onde passa a se chamar Rosa. "Apesar da mudança de nome e de vida, a personagem não esquece suas raízes. A liberdade é uma de suas grandes bandeiras. É uma mulher de princípios e não mede esforços para defendê-los", resume Horta.
Com poucas referências históricas sobre a vida real da personagem, muito do que é retratado na trama está recheado de licenças poéticas. Uma ampla pesquisa e romances que retratam o período foram de fundamental importância para o desenvolvimento do texto, a construção dos personagens e as opções estéticas do diretor Vinícius Coimbra. "Nosso ponto de partida é um Brasil caótico, com grande parte da população cansada dos mandos e desmandos da Corte e vivendo sem saneamento, medicina eficaz, ordem e justiça. Tudo era mais bruto e rude e a novela vai evidenciar isso", explica Vinícius, que, ao lado das equipes de cenografia, maquiagem, direção de arte e fotografia, caprichou nas sujeiras, sombras, dentes amarelados, terra e suor para garantir o tom realista que marca as sequências.
Acostumado a dirigir trabalhos de época, como "JK" e "Lado a Lado", Vinícius sabe da importância de se pensar um projeto desse porte com antecedência e foi tocando a produção de "Liberdade, Liberdade" mesmo com o texto ainda passando por modificações. A facilidade com a escalação para os papéis principais da produção foi surpreendente. "Acho que a temática é encantadora e o estilo do Vinícius de retratar época é muito interessante. Isso acabou fazendo com que muita gente se interessasse pelo trabalho", conta Mateus Solano, intérprete de Rubião, personagem que entregou a "cabeça" de Tiradentes para a Corte e principal vilão da trama.
Com nomes como Bruno Ferrari, Nathalia Dill, Maitê Proença, Caio Blat, Marco Ricca, Lilia Cabral e Zezé Polessa no enxuto elenco, a preparação de personagens começou em novembro do ano passado, com workshops de história e etiqueta, além de aulas de esgrima e equitação. Tudo para que os atores estivessem prontos para o esquema intenso de gravações, iniciado em Diamantina, interior de Minas Gerais, no final de janeiro. "Não é um daqueles trabalhos de chegar no estúdio e atuar. É preciso estudo e dedicação. A equipe é muito boa e segura do que está fazendo", elogia Bruno Ferrari, que, depois de quase uma década na Record, volta à Globo na pele do mocinho Xavier.

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