História e tecnologia levam turistas a Castro
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terça-feira, 11 de outubro de 2005
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Não é preciso ir tão longe para presenciar belas passagens oferecidas pelo turismo étnico-cênico e de aventura revelado pelo resgate do caminho dos tropeiros no Paraná. No município de Castro (41 km ao norte de Ponta Grossa), os turistas podem reviver as histórias e a cultura do passado em locais onde o tempo parou. A mesma cidade também é procurada por pecuaristas e técnicos de todo o país interessados na tecnologia de bovinocultura leiteira, trazida pelos imigrantes holandeses para a região dos Campos Gerais, que atrai turistas de negócios. Um pouco adiante, o município de Tibagi (101 km ao norte de Ponta Grossa) oferece belíssimas paisagens para a prática do turismo de aventura e do ecoturismo no Cânion do Guartelá, o sexto maior do mundo.
Quem percorrer a Rota dos Tropeiros, terá na região dos Campos Gerais um cenário encantador e oportunidade de visitar museus, participar de festas típicas e passeios agradáveis. A iniciativa privada, convencida pelo poder público do potencial turístico da região, começou a investir de forma mais expressiva nos últimos três anos. Hoje, o turista tem à disposição equipamentos que oferecem conforto e prazer como bons restaurantes com pratos da cozinha regional, pousadas, hotéis fazenda e lojas de artesanato.
No resgate da Rota dos Tropeiros, nos idos de 1700, quando as mulas eram transportadas de Viamão (RS) para serem vendidas na feira anual de Sorocaba (SP), o município de Castro despontou como ponto de pouso da época, que se transformou em vila e depois em cidade conhecida pelas suas características históricas e belezas naturais.
O turista poderá encontrar todos os detalhes dessa rica história, contada pelas peças de vestuário, mobiliário doméstico, utensílios de doma dos cavalos e documentos da época no Museu dos Tropeiros e na Casa Sinhara, no centro de Castro. O museu da cidade já se tornou referência quando se fala em Rota dos Tropeiros e a casa de Sinhara retrata a vida da mulher castrense no período do tropeirismo. O turista ainda pode visitar a Igreja Matriz de Santa Ana, cuja construção data de 1755.
Após uma manhã de história é hora de pausa para saborear o Castropeiro, um prato regional servido na época dos tropeiros à base de feijão, enriquecido com linguiça e bacon. Pode ser encontrado no restaurante do Morro, localizado no alto do morro do Cristo de onde o turista pode presenciar a cidade dos casarões, cortada pelo rio Iapó.
Outro cenário rico em história pode ser encontrado na Fazenda Capão Alto, que tem 300 anos. A sede da fazenda foi construída há 140 anos e ainda mantém as paredes e pinturas originais. A fazenda era utilizada como passagem dos tropeiros por causa da água e pastagens em abundância. A fazenda, atualmente propriedade particular, foi tombada pelo Patrimônio Histórico, e permanece aberta para visitação pública. O turista será recepcionado por João Klempovus, responsável pela manutenção e guia da fazenda.
Alegre e receptivo, João conhece toda a história da fazenda na ponta da língua. Ao ser indagado se além dele alguém mais cuida da fazenda, faz um movimento afirmativo e responde: ''Eu e Deus, nós dois cuidamos disso aqui''. João gosta de mostrar o pinheiro gigante, de 36 metros, que foi abatido por um raio. Depois da queda, a árvore ficou oca e foi colocada para exposição no terreiro da Capão Alto.
A visita pode se estender para o bairro dos holandeses, a seis quilômetros de Castro, onde foi construído o Memorial da Imigração Holandesa em homenagem aos 51 anos de imigração. No local, pode-se visitar o maior moinho da América Latina e um dos maiores do mundo, construído totalmente com tecnologia holandesa. Os imigrantes trouxeram arquitetos e especialistas na construção de moinhos que ficaram em Castro durante seis meses até o fim da obra.
O moleiro (responsável pelo moinho) recepciona os turistas com música ao som de um realejo, movido à manivela. O turista entra em contato com a história da imigração holandesa, fortemente baseada no tripé cooperativismo, religião e educação, com a exposição de fotos, documentação e tecnologia.


