O movimento e a cadência do fervilhar de acontecimentos e vida faz do Pelorinho um lugar fora do compasso lento que se espera de Salvador ou qualquer lugar da Bahia. Até as grandes pedras que calçam as ruelas do Pelô, como é carinhosamente chamado o Centro Histórico de Salvador, vibram sob os pés.
A história corre solta sob os passos; lembranças da história que não nos deixa esquecer por nenhum momento que o Brasil tem suas raízes ali. Nem a escolha de cores amenas mas variadas para os sobrados que já foram habitados pela nata da sociedade durante séculos, consegue levar a empáfia característica da riqueza para o Pelô.
Do povo e do mundo para o mundo. Os sobrados grudados um no outro e o colorido permanente do movimento falam mais de liberdade e cultura e da derrota dos grilhões de qualquer preconceito.
No Pelô, todas as línguas se encontram e se entendem, lado a lado nas mesas dos barzinhos e restaurantes. Namorando peças e lembranças nos balcões de uma infinidade de lojas de artesanato, antiguidades e variedades. Fala-se alemão, austríaco, italiano, indu, japonês, inglês ...
Andar pelas pouco mais de dez ruelas do Pelô pode parecer um passeio curto e rápido. Mas engana-se quem assim pensar. Elas se cruzam e formam becos. Ter tempo e paciência é indispensável para apreciar a beleza real do lugar. Há a arquitetura particular e rica de detalhes dos mais de 600 sobrados que forram as laterais das ruelas, as igrejas e os museus. E tudo é imperdível.
Descansar é necessário. Por isto escolha um dos tantos pontos de encontro que lotam as ruelas do Centro Histórico. Eles oferecem pratos típicos e lanches para todos os gostos. Não tenha pressa. Não vai adiantar. Se o movimento em volta ferve, o serviço se arrasta no ritmo baiano. O garçom vai atender com toda a calma do mundo, multiplicada ao quadrado.
Relaxe e aproveite estes momentos de espera para curtir o que há de mais típico na Bahia: os sons, as cores e o conjunto da arquitetura e gente que não se repete em nenhum outro lugar do mundo. Atrações artísticas, musicais acontecem o tempo todo. Atrações artísticas, musicais acontecem o tempo todo. E se estiver no Pelô em um domingo ou terça-feira ainda poderá saborear a refeição ao som dos ensaios semanais do Olodum.
Vale a pena. Principalmente se conseguir se distanciar do fato que tudo no Pelô tem preço. Figurantes circulam pelas ruelas vestidos a caráter vendendo, por preços salgados; quinquilharias ou simplesmente a oportunidade de uma foto ainda mais típica. Mas até isto já faz parte do folclore desse lugar tão lindo e inebriante quanto inusitado.

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