História e aventura se misturam em BOCAINA
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 01 de janeiro de 2001
Rodolfo C. Martino Agência Estado 
Localizado entre Rio de Janeiro e São Paulo, o Parque Nacional da Serra da Bocaina é o destino certo para aficionados por caminhadas e outras atividades junto à natureza
É um velho caminho, todo calçado por pedras irregulares, de diversos tamanhos e formas. Foram justapostas, uma ao lado da outra, no final do século 18, pelos escravos que as retiraram do fundo do Rio Mambucaba. Para assentá-las, reza a lenda, os negros usaram óleo de baleia. Haja baleia! A rota tem aproximadamente 30 quilômetros de extensão e serpenteia todo o Parque Nacional da Serra da Bocaina, na divisa dos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo, lá nos confins do Vale do Paraíba, entre os magníficos cenários das serras da Mantiqueira e do Mar.
O caminho tem nome. Vários nomes: Estrada da Cesaréia (nome de uma fortaleza de pedras construída por Herodes no Mediterrâneo) ou Estrada da Independência (como a conhece o secretário estadual de Recuperação dos Bens Culturais, Emanuel Von Lauenstein Massarani) ou Trilha dos Mineiros. A denominação em moda, porém, é Trilha do Ouro.
Ainda hoje, o caminho é usado, como nos tempos coloniais, para transporte em mulas de todo tipo de mercadoria, principalmente alimentos. Só que, agora, os animais carregam as coloridas mochilas dos trilheiros que descobriram o parque e a trilha como ponto de referência para aventuras radicais vôos de asa delta, rapel, trekkings ou para um cada vez mais atual contato com as forças da natureza.
Só na semana do carnaval, havia umas 600 pessoas pela serra. A maioria atraída pelas maravilhas da Trilha do Ouro, diz José Milton de Magalhães Serafim, dono de uma agência de turismo na pequena São José do Barreiro que, pelo menos duas vezes por mês, leva grupos de 16 a 20 turistas para o desafio da trilha.
O próprio Zé Milton diz que sua história de vida foi inteiramente baseada no fato de ter crescido no meio das matas e cachoeiras da Bocaina. Desde que se entende por gente frequenta o sítio dos avós na serra e de lá fazia ponto de partida para diversas excursões pelos mais escondidos grotões do lugar.
Já adulto, em 1991, participou do projeto Caminhanças, que pretendia identificar e cadastrar os locais com potencial de ecoturismo da região. O projeto era financiado pela organização norte-americana Ashoka e tinha como coordenador o professor José Antônio Bachin.
A idéia era lançar um Guia de Trilhas Brasileiras por ocasião da ECO 92 realizada no Rio, explica Serafim. Mas, para mim, o mais importante foi a confirmação de que a Bocaina é mesmo um patrimônio da humanidade e que merece ser preservado para as futuras gerações.


