Das janelas da Igreja São Gonçalo é possível ver e perceber a riqueza cultural e histórica dessa pequena cidade. Está espalhada pela arquitetura predominantemente barroca dos casarios e corre pelas ruelas estreitas. Entra nas casas de portas eternamente abertas e sai através das conversas na soleira das portas. De janela para janela as ‘comadres’ põem o assunto em dia sem precisar nem levantar a voz e acompanham o movimento.
Aliás, igrejas não faltam nos caminhos de Penedo. Só na região central são mais de dez e cada bairro tem pelo menos uma capela. Se igrejas e fé caminham juntas, está explicado porque Deus privilegiou tanto esse trecho do Rio São Francisco e sua gente.
Há quem trace paralelos entre Penedo e Ouro Preto devido a arquitetura e igrejas. Guardadas as proporções – riqueza e número de construções –, a comparação é válida.
As igrejas – uma mais linda que a outra – guardam tesouros em esculturas e pinturas que valem a pena serem vistos. Mas não falam apenas de riquezas terrenas ou do paraíso. A Igreja de Nossa Senhora da Corrente (1765), atribuída à Família Lemos, serviu durante muito tempo como esconderijo para os escravos fujões. Acobertados pelos Lemos, eles ficavam escondidos atrás de uma parede falsa até conseguirem cartas de alforria falsas.
Forte econômicamente, Penedo chegou a ser referência cultural e point dos festivais de cinema no Brasil. Ainda no tempo do Império, em sua época áurea, era uma das primeiras cidades a receber os grupos de teatro e música estrangeiros que vinham se apresentar no País.
A ‘visão aberta’ para as ciências e culturas tem raízes no contínuo intercâmbio com a Europa e na forte influência holandesa e portuguesa. Está tudo no Espaço Cultural da Fundação Casa de Penedo. (C.B.)

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