A profissão de leiloeiro está entre as mais antigas do mundo. Já no antigo Egito havia leilão de prostitutas e escravos. Com o tempo, a atividade foi passando por uma série de modificações, mas manteve sempre o sistema fechado das corporações medievais, passando de pai para filho e de mestre para aprendiz. O primeiro leiloeiro profissional no País, segundo registros históricos, foi o inglês J. J. Dodsworth. Ele chegou ao Rio de Janeiro em 1808 e, para reforçar o orçamento, vendia o jornal ‘‘Correio Braziliense’’, de Hipólito da Costa, impresso em Londres.
Houve um tempo em que os leiloeiros eram escolhidos pelo próprio presidente da República. Os leiloeiros mais antigos costumam dizer que esta é a única
atividade ‘‘em que se pode vender de tudo pelo preço que se quiser’’. Hoje em dia, são comuns os leilões de artigos apreendidos nas alfândegas, por excesso de peso nas bagagens, deixados por muita gente que não tem dinheiro para pagar as taxas adicionais. Também crescem cada vez mais os leilões pela tevê, quase que apenas de obras de arte e tapetes.
Nos anos 70, um pedaço de bolo do casamento da Rainha Victoria, com 134 anos, foi vendido num leilão por 180 dólares. Aqui no Brasil, entre os leilões mais curiosos está o do Morro do Salgueiro, arrematado por CR4 3,1 milhões, em 1958. Também chamaram a atenção os leilões de camisas autografadas por Pelé, Rivelino e Zico, para fins beneficentes, o nome da revista ‘‘O Cruzeiro’’ e até mesmo uma criança de um ano e nove meses. Isto aconteceu em 1971, em Curitiba. Uma mulher dizia que não tinha condições de sustentar a criança e, por isso, decidiu vendê-la pelo melhor preço. Para seu azar, a pessoa que deu o maior lance era um policial, que agiu assim exatamente para caracterizar o flagrante e prender a mulher, de apenas 23 anos.
Pela culatra São muitas as histórias curiosas contadas pelos velhos leiloeiros. Casos em que simples gestos para chamar o garçon foram interpretados como lances. Uma dessas histórias, talvez a mais saborosa, é sobre uma espécie de leilão às avessas, que aconteceu no Rio de Janeiro, nos tempos de Otávio Gomes Giannini, um dos mais famosos leiloeiros do País. Um cidadão que costumava arrematar pechinchas nas casas de leilão viu Giannini ao lado de um piano, apregoando a modesta quantia de cem mil réis, e ficou observando. Estranhamente, alguém ofereceu 95 e o leiloeiro aceitou o lance mais baixo. Depois, 80 mil réis, 75, 70. Por via das dúvidas, o cidadão resolveu entrar no curioso leilão e deu um lance mais baixo ainda: 40 mil réis. O leiloeiro bateu o martelo.
O vencedor ficou tão entusiasmado que se dispôs a pagar à vista. E só então soube que os lances eram dados apenas para ver quem cobraria menos para carregar o piano.(A.F.)

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