História do CARNAVAL
FESTA BRASILEIRA História do CARNAVAL Dos tempos coloniais aos dias de hoje, a festa carnavalesca é um rito que consagra a nacionalidade de um povo ReproduçãoAla das baianas: uma das tradições do Carnaval brasileiro que nasceu de uma homenagem à coroação de D. João IV Nelson Sato De Londrina O Carnaval do Rio é o acontecimento religioso da raça, escreveu Oswald de Andrade em um de seus célebres manifestos modernistas. Esse acontecimento paralisa o país desde 1641, quando o então governador do Rio de Janeiro Salvador Correa de Sá Benevides decretou uma semana de festa para homenagear a coroação do rei D. João IV. O povo gostou tanto da folga prolongada que nos anos seguintes resolveu adotá-la por conta própria. Na época, os foliões se divertiam copiando o entrudo, um folguedo comemorado em Portugal antes da Quaresma e que consistia numa batalha de jatos de água misturada com limão e outros líquidos menos agradáveis. Mas eram tantas brigas e confusões nas ruas que o vice-rei tentou, sem sucesso, proibir a algazarra em 1808. A patuléia resistia, a ponto de converter os mais abastados da sociedade imperial à folia. A grã-finagem, no entanto, participava da festa mantendo distância das camadas mais pobres da população. Transformou seus bailes de máscaras em noites regadas a comida e bebida. A partir daí, o Carnaval passou a bater cartão no calendário festivo carioca. A música, a essa altura, ainda não fazia parte da brincadeira. Foi só na metade do século XIX que a polca surgiu animando os salões da elite branca imperando sobre valsas, schottisches, mazurcas, charleston e fox-trot. Foi o primeiro gênero de música carnavalesca de salão do Brasil (segundo o livro Pequena História da Música Popular, do crítico e pesquisador José Ramos Tinhorão). Paralelamente, os desfiles de carros alegóricos começaram a tomar as ruas do Rio como mais uma novidade importada do Carnaval europeu. O pioneiro da idéia foi o romancista José de Alencar, que em 1855 criou uma sociedade denominada Sumidades Carnavalescas. Os confetes foram introduzidos na festa em 1892. As serpentinas substituíram as flores atiradas nos carros alegóricos. Coube a Zé Pereira, um conjunto de bumbos e tambores trazido de Portugal, compor a primeira música exclusivamente para a ocasião. Já na virada do século, a polca rivalizava com o maxixe na preferência dos foliões dos bailes. O repertório nacional incluía ainda marchas, modas, cateretês e até desafios sertanejos. Nenhum desses gêneros musicais, porém, era considerado o ritmo verde-amarelo por excelência. Foi só nos anos 30 que o samba carioca obteve primazia no Carnaval brasileiro transformando-se em símbolo de nacionalidade. Os outros gêneros produzidos no País passaram a ser considerados regionais (na observação do antropólogo Hermano Vianna em seu livro O Mistério do Samba). Antes, no Carnaval de 1917, Donga aparece com Pelo Telefone. Tido como o primeiro samba autêntico, o sucesso dá início à criação de composições feitas especialmente para os dias do reinado de Momo. Em seguida, a folia ganha mais elementos com o surgimento do Rei Momo (o primeiro foi o compositor Silvio Caldas), os corsos de automóveis das boas famílias, os concursos de fantasia e as escolas de samba. Quem inventou o desfile das escolas de samba foi o jornalista Mario Filho, conta o crítico musical e pesquisador Sérgio Cabral no volumoso Escolas de Samba do Rio do Janeiro. Mário Filho, irmão do dramaturgo Nelson Rodrigues, era dono do jornal Mundo Sportivo. Um repórter, frequentador das quadras das escolas, sugeriu-lhe uma pauta: por que não entrevistar os sambistas? Mario respondeu: e por que não promover uma disputa entre eles? A Mangueira, fundada como Escola de Samba Estação Primeira, faturou os três primeiros desfiles. Nos bailes e rádios, o samba e a marchinha ganhavam cada vez mais difusão dominando a década que vai de 1932 a 1942. A boa música virava sucesso o ano todo pelas vozes ou versos de gente como Lamartine Babo, Haroldo Lobo, Nássara, João de Baro, Alberto Ribeiro, Noel Rosa, Assis Valente, Capiba, Ary Barroso, Sinhô, Wilson Batista, Benedito Lacerda e Ismael Silva. A decadência viria na década de 60, quando a explosão do Carnaval elevou de 200 para cerca de 1.200 músicas num só ano rebaixando a qualidade do repertório carnavalesco ao fundo do poço. Os compositores e intérpretes mais inspirados saíram de cena. A partir dos anos 70, a coisa degenerou de vez acompanhando a perda de espontaneidade da festa e sua transformação em fonte de lucro para TVs e fabricantes de cerveja.





