História da dupla já foi contada em outro livro
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 11 de agosto de 1997
Ademir Fernandes Agência Estado 
É claro que, por ser filho de Dalva de Oliveira e Herivelto Martins, Pery Ribeiro deve ter muitas revelações a fazer em seu livro. Mas o próprio Herivelto já falou muito de sua vida e das brigas com Dalva, em depoimento aos jornalistas cariocas Natalício Norberto e Jonas Vieira. O resultado dessa longa conversa foi o livro Herivelto Martins: Uma Escola de Samba, lançado em 1992 pela Editora Ensaio (Caixa Postal 64.090, Rio de Janeiro).
O livro contém várias fotos e nele estão relacionadas todas as músicas que Herivelto compôs ou cantou. Nele, o compositor descreve a cantora como uma pessoa inexpressiva, impressionando apenas pela voz, no começo da carreira. O pai de Pery Ribeiro conta também, nesse livro de Natalício Norberto e Jonas Vieira, como ficou amigo do cineasta Orson Welles. Não foram poucas as noites em que Welles varou a noite em nossa companhia - minha e do ator Grande Otelo - tomando cerveja preta, lembrou. O cineasta aprendeu algumas palavras em português e, como os dois brasileiros entendiam alguma coisa de inglês, eles acabavam se entendendo.
O idioma inglês, aliás, foi responsável por uma das inúmeras brigas entre Dalva e Herivelto. O compositor conta no livro que, uma vez, ao tentar conversar em inglês com um americano no Cassino da Urca, a cantora caprichou no linguajar. I love you, mister, I love you, disse ela. (Eu te amo, senhor, eu te amo). Irritado, Herivelto chamou sua atenção: Dalva, o pouco que sei de inglês eu falo com absoluta consciência. Sei o que estou falando. Já você não pode abrir a boca e dizer qualquer coisa que lhe vem à cabeça. Dalva revidou: Ah, é? Quer dizer que só quem pode falar inglês é você?
Herivelto conta ainda que Dalva usava os amigos comuns para incompatibilizá-lo com a classe artística, e então o relacionamento foi ficando cada vez pior, até o rompimento definitivo. E aí começou o duelo musical. Tudo acabado entre nós/já não há mais nada/tudo acabado entre nós/hoje de madrugada , cantava Dalva (Tudo Acabado, de Jota Piedade e Oswaldo Martins). Eu deixei o meu caminho certo/e a culpada foi ela/Transformava o lar na minha ausência/em qualquer coisa/abaixo da decência , contra-atacava Herivelto. Mas Dalva não deixava por menos: O peixe é pro fundo das redes/segredo é pra quatro paredes/(...) primeiro é preciso julgar/pra depois condenar....


