História à beira mar
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segunda-feira, 08 de janeiro de 2001
Da Redação 
Visitar São Francisco do Sul é fazer uma viagem no tempo. Considerada a terceira povoação do Brasil, depois de Porto Seguro e São Vicente, São Chico como é chamada pelos moradores sempre teve e ainda tem no mar a sua maior inspiração.
Descoberta por franceses em 1504, quatro anos após o descobrimento do Brasil, a cidade começou a ser povoada efetivamente pelo português Manoel Lourenço de Andrade, em 1658. Hoje, o município tem cerca de 30 mil habitantes e deve muito de seu desenvolvimento aos açorianos que chegaram ao litoral de Santa Catarina a partir de 1748.
Voltado para a Baía de Babitonga, o Centro Histórico de São Francisco do Sul preserva grande parte das ruas com calçamento de pedras, dos sobrados portugueses e dos prédios históricos que formam um dos mais importantes acervos arquitetônicos do País. Ao todo são 220 edificações tombadas pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, com destaque para a Igreja de Nossa Senhora da Graça, de 1699, cuja argamassa utilizada na construção era composta de cal de concha, areia e óleo de baleia.
Mas a verdadeira história de São Francisco do Sul começou ainda em 1504 quando a caravela francesa Léspoir, capitaneada por Binot Paulmier de Gouneville, chegou à Baía de Babitonga após perder-se da rota para as Índias. Durante seis meses Goujneville e sua tripulação conviveram com os amistosos índios carijós, comandados pelo cacique Arosca.
Ao retornar para a Europa, o comandante levou consigo o filho do cacique Içá-Mirim, prometendo trazê-lo de volta. Mas nunca mais voltou. Içá-Mirim passou a se chamar Binot e na França casou-se com Suzanne, parente do capitão, com a qual teve 14 filhos.
Terra de pescadores e marinheiros, São Francisco do Sul tem na Baía da Babitonga um dos melhores locais do litoral catarinense para passeios com embarcações de todos os tipos. Algumas dos 14 ilhas que compõem a Baía, com a Ilha Herdeiros e a Ilha das Flores, possuem ancoradouros e bons restaurantes à base de frutos do mar. Os passeios de barco são apenas algumas das atrações de São Francisco do Sul.
Outro programa interessante é visitar o Museu Nacional do Mar-Embarcações Brasileiras, único no gênero em toda a América Latina. São 10 mil m2 nas antigas instalações da Empresa de Navegação Hoepcke, construída no início do século XX. O museu reúne um acervo de embarcações, objetos, fotos, móveis, mapas e documentos que contam a história naval brasileira. São 42 modelos em tamanho natural e 350 reproduções, em escala que agregam mais de 250 estilos diferentes.
Grande parte dos modelos apresentados ainda estão em uso, como o barco I.A.T. com o qual o navegador Amyr Kling cruzou a remo o Oceano Atlântico, em 1982. Uma das curiosidades é a réplica perfeita, de 80 cm do LEspoir, caravela utilizada pelos franceses que em 1504 fundaram a cidade. Para os pesquisadores, o museu abriga uma biblioteca com 400 títulos dedicados à literatura naval.
O município também oferece belas praias de enseadas tranquilas ou mar aberto, urbanizadas ou mais afastadas. Ao todo são 13 balneários que começam no Centro Histórico e contornam toda a ilha. Ingleses, Figueira, Paulas e Calixto, ficam próximas ao centro e têm águas calmas. Na sequência vem Capri, Praia do Forte, Itaguaçu e Ubatuba, todas de mar aberto. Itaguaçu possui areias monazíticas. Já a praia da Enseada tem a melhor infra-estrutura turística, águas tranquilas e é a preferida dos veranistas. Depois vem a Prainha, adotada pelos surfistas. Entre as duas está a Praia Mole, ao lado do terminal marítimo da Petrobrás. Por fim, vêm as praias Grande e Ervino, com longa faixa de areias brancas e dunas quase desertas.


