História à beira mar
PUBLICAÇÃO
domingo, 25 de maio de 1997
Maranúbia Barbosa Especial para Folha Turismo 
Maranúbia BarbosaCasario colonial de Iguape: cidade foi fundada em 1538Um pouco ilha, um pouco continente. Definir Iguape não é tarefa simples. Se bem que a visão da cidade dispensa tipo de definição. A visão do casario colonial sugere imagens distantes que remontam à época do Descobrimento. Oficialmente fundada em 1538, conhecida pela abundância de ouro que produziu no tempo dos bandeirantes, Iguape vive hoje, principalmente do turismo. O Maciço da Juréia e o canal do Mar Pequeno emolduram a cidade e emprestam ares de cartão-postal.
Do tempo da colonização a cidade tem histórias para contar. Os moradores mais antigos estão sempre dispostos a um dedinho de prosa. Nas lanchonetes que pontificam pelas calçadas, entre um chope e outro, eles contam que durante a escravidão, no canal do mar Pequeno atracavam navios negreiros e ali descarregavam os escravos africanos. Muito abatidos da viagem, os negros ficavam durante algum tempo em um casarão para se recuperarem da longa viagem e ganhar peso. O casarão funcionava como um lugar de engorda antes de irem a leilão. Apesar da cidade conservar seu casario, principalmente o da Rua do Funil, o casarão dos negros está em ruínas. Não dá para entender porque o Patrimônio Histórico ainda não tomou as devidas providências de restauração.
Pequenos garçons Tirando os arrepios de indignação que histórias como essa causam, a cidade causa impressões acima de qualquer suspeita. A noite é animada e as lanchonetes e restaurantes funcionam até as tantas da madrugada. Um dos achados é dar um pulo num pizzaria chamada Luar do Iguape, e a tirada da noite fica por conta dos garçons. Flávio, Gustavo e Diego, de idade entre 9 e 13 anos dão a maior força para a mãe. Servem mesas e encantam os fregueses. A pizza não tem nada de especial e o serviço é meio devagar, mas quem liga para isso quando os garçons são desse tamanhinho? E não se preocupem os defensores da infância: oe meninos não ficam até tarde e vão para a escola direitinho.
Apesar da noite animada, o dia fica nada a dever em matéria de diversão. Uma vista panorâmica da cidade pode ser conferida no Morro do Espia, a 1,5 km do centro. Não deixe de ver a Toca do Bugio, paraíso dos pescadores. Em Iguape existe o Museu Municipal, com um grande acervo de documentos qe datam da colonização, além de amostrar de sambaquis. No Museu de Arte Sacra, as paredes são de alvenaria em pedra e cal e em seu interior estão castiçais, pratarias, ostensórios e muitos outros objetos que datam dos primeiros anos após o Descobrimento do Brasil.


