O aroma do café coado na hora invade a quadra esportiva da Escola VillasBoas, em Londrina. Com olhares atentos e curiosos, os alunos observam o preparo do café feito pelas mãos habilidosas da cozinheira Leonia Francisca. Adepta do costume bastante comum no Brasil de ferver a água para o café com açúcar (embora isso não seja muito recomendado pelos especialistas), ela afirma que o segredo para um bom café é "apenas fazer tudo com amor e carinho".
Na semana passada, a degustação de café e de vários quitutes à base de café - preparados pelos alunos do quinto ano com o auxílio dos pais - fez parte das atividades que a escola está realizando desde o começo do mês, dentro do "Projeto Café – Nossa Riqueza". Nesta sexta-feira uma palestra com um especialista sobre café está prevista e ainda estão sendo agendadas uma visita ao Museu Histórico de Londrina e ao Café Itamaraty, em Rolândia. O projeto segue até o final de abril.
Conteúdo obrigatório do projeto pedagógico da escola, que usa apostilas do Sistema Positivo, a história do café ganhou uma abordagem mais lúdica e criativa neste ano. "A nossa apostila traz esse conteúdo, mas sem reforçar a importância econômica do café para o desenvolvimento de Londrina e região. Coube a nós fazermos essa ponte", explica a coordenadora pedagógica Priscila Grandolffi Silva. "E a ideia de envolver a culinária deixou o trabalho mais lúdico e divertido", acrescenta.
Para o trabalho, as alunos assistiram a um documentário sobre a história de Londrina, fizeram pesquisas na internet, em livros e em jornais. Além disso, eles tiveram que literalmente "pôr a mão na massa" com a ajuda dos pais para preparar as delícias da "Tarde com Café". Mousse, pavê, brigadeiros, pudins e pães, tudo feito com café, renderam elogios. "Eles não imaginavam que era possível fazer tanta coisa com café e ficaram admirados. Eles também se surpreenderam com o processo de plantio, de beneficiamento e até com as cores dos grãos", comentam as professoras Lilian Teixeira e Patrícia Cindy.
Elas também sugeriram que os trabalhos fossem fixados no caderno de história e até mesmo registrados a mão ao invés de ficarem guardados em pastas avulsas. "É uma forma de facilitar a consulta ao trabalho, que deve render novas investigações até o final do ano", observam as professoras.
A aluna Isabela de Oliveira Latanza, 10 anos, aprovou a iniciativa, mas conta que achou um "pouco difícil" pesquisar esse assunto. Contando com a ajuda dos pais, que são professores, ela relata que foi interessante quando o pai lembrou que tinha em casa uma reprodução da obra "Café" (1935), de Cândido Portinari, destacada em sua apostila. "O trabalho dos escravos foi muito importante para o crescimento do cultivo do café no Brasil e o quadro do Portinari retrata muito bem isso", observa.
Os amigos Lucas Alves Bueno, 9 anos, Sérgio Emanuel Luz Conson, 10 anos e Felipe Luz Cardoso, 10 anos, também gostaram do projeto. "Não sou muito fã de café, mas gostei de aprender mais sobre a história que está por trás dessa bebida popular", diz Lucas. "Eu não gosto de café, mas foi muito legal aprender que o café era o nosso 'ouro verde' e que a nossa cidade está repleta de símbolos que fazem referência a isso, como os nomes de alguns shoppings", pontua. Já Felipe gosta muito de tomar café: "Hoje até tivemos prova sobre as fazendas de café e acho que fui bem", espera. Então, que tal um cafezinho?

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- Um pouco sobre a história do café

- Os jovens e o café

- QUITUTES À BASE DE CAFÉ

- LEITURINHA - Muito mais que chuva

- PALAVRA DE ESTUDANTE - Do que você mais gostou no projeto sobre o café?

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