Hino à desolação
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 06 de julho de 2001
Nelson SatoDe Londrina 
Muita gente, mas muita gente mesmo ouviu o novo disco do Radiohead em MP3. Mesmo assim, mesmo baixando as músicas no computador, compraram o CDzinho e se inebriaram com a melancolia sufocante das canções.
Até os góticos, que costumam ouvir o que ninguém conhece, foram engrossar o rebanho do pastor Thom Yorke homenageando-o numa coletânea-tributo com participação de grupos como Diva Destruction, Silent Gray e Miranda Sex Garden.
O fato é que Amnesiac (EMI) dá continuidade à fase anticomercial do Radiohead. As músicas foram gestadas durante as sessões de estúdio de Kid A, o controverso disco anterior e do qual se diferencia por reunir fiapos de melodismo pop entre uma faixa e outra.
No conjunto, o material mais afasta do que convida à audição estabelecendo quilométrica distância do impacto provocado por Ok Computer e especialmente The Bends, o grande álbum dos caras. Indigesto para iniciantes, Amnesiac soa como um hino à desolação. Dá para ouvir uma ou duas vezes e depois abandonar na última pilha de CDs.


