Hilda Furacão tem clima de Nelson Rodrigues
Hilda Furacão tem clima de Nelson Rodrigues
Estelio Feldman
Carta Z Notícias/Arquivo FolhaAna Paula Arósio é Hilda, a mocinha de família
tradicional que se torna prostituta de luxoUma ambientação bem-feita, embora a excessiva preocupação em datar a história (citações de JK, Brasília, Che Guevara, sucessos musicais da época), uma história polêmica e um elenco que pode ser considerado de segundo time, apesar da presença de Tarcísio Meira. A minissérie Hilda Furacão, que estreou quarta-feira na Globo, deixou no ar algumas dúvidas. Parecia uma história de Nelson Rodrigues, ambientada nas Minas Gerais do fim dos anos 50, com todos os ingredientes rodrigueanos: a noiva indecisa, o noivo que aceita os eventuais amantes, desde que ela seja discreta, o diálogo rude, além da indefectível cartomante que mistura previsões tenebrosas com problemas domésticos. Tudo lembra o dramaturgo carioca.
Isto, porém, não é tão ruim. Para os apreciadores do estilo do controvertido romancista, até que é ótimo. Também para quem adora ver mulher nua e cenas eróticas, antecipa-se que Hilda Furacão deve ser um prato cheio. Afinal, é a história de uma jovem de família tradicional mineira que se torna prostituta de luxo, em Belo Horizonte, e que se apaixona por um seminarista (o que é mais Nelson Rodrigues que isto?). Esta soma por si já garante os ingredientes eróticos indispensáveis, ao que parece, às minisséries que a Globo reservou para o horário (para quem não lembra, a anterior foi Dona Flor, que também apelou bastante para o erotismo).
O problema é que Dona Flor, além de ser uma história de Jorge Amado, ambientada na sensual Bahia, tinha um elenco de primeira. Já esta nova minissérie mostra um time que lembra o pessoal da Malhação em clima mais quente. Ana Paula Arósio (linda, sem dúvida), Rodrigo Santoro, Arlete Salles, Luiz Mello, Stênio Garcia, entre outros, fazem mais parte do time de coadjuvantes que da seleção principal da Globo. Em época de Copa do Mundo, a Globo parece ter preferido guardar o que tem de melhor para cobrir o futebol. E, com isto, Hilda Furacão deixa a impressão de um tapa buraco em tempo de audiência quase que exclusivamente futebolística.
A minissérie, que é apresentada durante a semana (de terça a sexta), às 22h30, tem 32 capítulos - o que significa que vai entrar pela Copa.





