Hilary Swank, candidata ao Oscar, é o destaque de "Meninos não Choram"; filme estréia amanhã
Hilary Swank, candidata ao Oscar, é o destaque de "Meninos não Choram"; filme estréia amanhã9/Mar, 14:24 Por Luiz Carlos Merten São Paulo, 09 (AE) - Na bolsa de apostas de Hollywood, não tem, atualmente, para ninguém. Hilary Swank é a preferida disparada na categoria de melhor atriz. Deixa para trás as demais competidoras - a eterna Meryl Streep (Música do Coração), Annette Bening (Beleza Americana), Julianne Moore (Fim de Caso) e Janet McTeer (Tumbleweeds). Hilary é realmente extraordinária em "Meninos não Choram". O filme de Kimberly Peirce, que estréia amanhã (10), provocou verdadeira comoção nos Estados Unidos. É forte, mas não tão bom. Produzido e distribuído pela Fox Searchlight, a divisão de obras "artísticas" da Fox, inspira-se numa personagem real que também deu origem a um documentário exibido na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. Brandon Teena é seu nome. Um nome de fantasia. Brandon, na verdade, nunca existiu. Quem existia era Teena, uma garota que se vestia de homem e tentava se fazer passar por rapaz. Freud teorizou sobre a inveja do pênis nas mulheres. Teena realmente queria ter um sexo de homem. Usava um artificial ou então colocava enchimento nas calças para fazer volume. É uma personagem estranha, patética, usem o adjetivo que quiserem, mas para Teena não bastava sair do armário e assumir-se como lésbica. Não era esse seu problema. Teena realmente agia e pensava como homem e queria ser aceita como tal até pelas mulheres que conquistava. Um caso radical para se discutir a questão da identidade sexual. Por mais fantástica que pareça ser, é uma história real. Os fatos realmente ocorreram no começo dos anos 90, numa pacata cidadezinha de Nebraska. Surgiu aquele rapaz encantador, que logo foi aceito pelos machinhos da cidade. Brandon era bom de braço, de copo. Era sedutor com as mulheres. Descoberta sua identidade, Teena foi estuprada e morta. O caso repercutiu na mídia americana. Duplamente vítima - Teena é vítima de uma sociedade brutal, mas também é vítima dela própria. Por mais hediondo que tenha sido o crime (e foi), é uma personagem que não incita à empatia. Para homens e mulheres, é difícil identificar-se com uma garota que queria ser homem a esse grau, a ponto de usar um pênis postiço. Kimberly Peirce quis fazer um filme politicamente correto. Critica a sociedade machista que massacrou Teena. Mas esse é só um lado da moeda: essa mesma sociedade agora faz um filme para entender Teena e seu drama. Hilary Swank poderá chegar até o Oscar, que efetivamente merece, na eventualidade de vir a receber o prêmio. Não é um travesti divertido, como aquele que "Gwyneth Paltrow" fazia em Shakespeare Apaixonado (e que lhe rendeu o Oscar do ano passado). Aqui, a barra é mais pesada. O filme descreve um meio de gente boçal, quando não violenta. Um bando de desajustados, pois Teena Brandon não é a única a ter problemas de identidade mal-resolvidos. No fim, tudo vira Hollywood - a história de Teena é veículo para a história de outra garota, Lana, que, informa o letreiro final, se casou, teve filhos e vive uma existência perfeitamente integrada. É como se Teena tivesse de ir, tragicamente, ao limite de si mesma para que a outra pudesse ter a sua redenção. É um filme cruel - com Teena e com o espectador.





