''Hijab é como se fosse uma jóia'', diz professora
''É como se fosse uma jóia. O homem gosta de proteger suas mulheres. Eu uso o hijab porque eu quero. Eu me sinto mais segura. Se eu ando assim (com a roupa islâmica), ninguém olha. Mas se você usa roupa com decotes, os homens falam palavras feias e fazem assim (sic) 'fiiiii'''. O depoimento da professora Rabha Melhem, 31 anos, traduz o sentimento das mulheres ouvidas pela Folha sobre o vestido e o lenço que cobrem o corpo e a cabeça.
Para ela, a roupa representa a confiança em si própria e fé em Deus. A educadora garante que não se trata de uma imposição do marido ou dos pais, mas sim um respeito ao Alcorão. ''Dizei às fiéis que recatem os seus olhares, conservem os seus pudores, e não mostrem os seus atrativos, além dos que normalmente aparecem; que cubram o colo com os seus véus e não mostrem os seus atrativos, a não ser aos seus esposos....que não agitem os seus pés, para que não chamem à atenção sobre seus atrativos ocultos''.
Sem nunca ter usado o hijab, a funcionária da escola Umaima Birani, 21 anos, conta que o uso do lenço é um privilégio, pois intimida o assédio dos homens e cumprimentos indesejados. ''Pretendo usar mais para frente. Eu estou contrariando a palavra. Cada mulher usa o lenço quando deseja. Eu sou do tipo da mulher que, quando colocar o lenço na cabeça, não irei tirá-lo mais. A nossa religião diz que é preciso rezar, jejuar, usar o lenço, ir a Meca... Eu rezo, eu jejuo, quero ir a Meca, mas eu ainda não uso o lenço''.
O hijab tornou-se o símbolo da mulher muçulmana, embora a existência de mulheres cobertas dos pés a cabeça seja pré-islâmica. As adeptas argumentam que ser moderna ou livre não significa vestir roupas com decotes. Sustentam que, desde a época do profeta Abraão, as mulheres cobrem a cabeça. Justificam ainda que as freiras também se vestem de forma semelhante e ''até a Virgem Maria'' usava mantos. A explicação histórica, porém, é insuficiente para sanar a curiosidade dos ocidentais.
A mulher muçulmana e suas roupas remetem o imaginário popular ocidental à outra dúvida: como é possível frequentar praias ou piscinas de clubes? Desta vez, a explicação precisa apresentar seu aspecto prático. Conforme o quarteto, de fato, as mulheres procuraram evitar ao máximo expor seus corpos em lugares públicos''.
Em Foz do Iguaçu, as fiéis frequentam o Clube União Árabe, onde é estipulado um horário para o banho de mulheres, conta Umaima. O período é das 10 horas às 17 horas, de terça-feira a sexta-feira. Elas costumam usar camisas, bermudas de nylon até o joelho, shorts, biquínis ou maiôs. ''Nem o chacareiro fica por perto. Cada mulher entra na piscina como desejar, com uma roupa mais decente. Eu não me sentiria bem se chegasse um homem e me visse de short'', exemplifica a jovem.
Mas e na praia? A professora Rabha Melhem certa vez visitou Copacabana, no Rio de Janeiro, e o litoral paranaense. Caminhou por calçadões, pela areia, porém preferiu não entrar n'água. ''Estava muito calor, mas preferi não tirar o hijab. Acho que chamaria mais atenção. Aqui em Foz é igual. O calor é forte, mas a força de vontade é maior. A fé fala mais alto'', afirma.
Leila Almad Darouiche também faz questão de pronunciar-se, dizendo que começou a usar o lenço somente depois de dois anos de casada, quando entendeu ''a importância de seguir o Alcorão''. A vendedora Cabura Issa completa a conversa ao reforçar a tese do uso da roupa tradicional por vontade própria. ''Sei que sou uma mulher digna, de caráter. Não adianta me cobrir e ter pensamentos errados. Porque Deus eu não irei enganar''.





