Higgins dá sinais de cansaço
Jack Higgins é um dos bons escritores britânicos de livros de espionagem. Autor, entre outros, de A Águia Pousou e Terreno Minado, aos 70 anos ele já deixou seu nome inscrito entre os grandes do gênero. Seu personagem, Sean Dillon, um ex-militante do IRA (grupo terrorista irlandês), tem presença assegurada entre os grandes nomes da ficção mundial.
Mas, Jack Higgins, como qualquer ser humano, enfrenta o problema da idade. A gente pergunta por que é que Michael Jordan parou de jogar basquete, por que é que Pelé parou de jogar futebol e a resposta é simples: eles envelheceram, perderam aquela condição física que os tornou únicos. O problema, em setores outros que não o esportivo, é que fica mais difícil a percepção sobre o momento em que já se deve deixar a cena.
O mais recente livro de Jack Higgins, com copyright de 1997, A Filha do Presidente, deixa passar a idéia de que o autor não percebeu que deveria ter parado com a carreira pelo menos antes de lançar este original.
A Filha do Presidente, tentando manter o estilo que tornou o autor famoso, acaba por ser repetitiva e previsível. Sean Dillon, personagem de tantas e tão fantásticas aventuras, nem sequer se repete, parece uma caricatura de si mesmo. A história é fraca por si, a narrativa é cheia de lugares-comuns, não há tensão real, o desenvolvimento é fraco e o final vazio.
É lamentável, sem dúvida, constatar isto diante de um autor responsável por livros empolgantes que proporcionaram aos leitores momentos de prazer. Algumas de suas obras, inclusive, foram transformadas em bons e movimentados filmes. Mas, ao que parece, a hora chegou e assim como Michael Jordan e Pelé, passou do tempo de Sean Dillon se aposentar. Levando junto seu criador. Afinal, nem todo mundo pode ser genial a vida inteira, como Agatha Christie.





