Os cachês milionários de astros como Arnold Schwarzenegger, Sylvester Stallone e Bruce Willis não deixam mentir: a ação é o filão mais rentável do cinema de entretenimento. Pensando nisso e de olho na estatística do Intercine, que dá uma larga vantagem aos filmes de ação, a Globo resolveu investir também em cenas mirabolantes. Desde duelos teenagers no teto de um trem em movimento, em Malhação aventura, até a explosão de um ultraleve, em ‘‘O Amor está no Ar’’, a ordem é botar pra quebrar.
A aposta mais forte da emissora, para fincar bandeiras no competitivo mercado de produções de ação, atende pelo nome de ‘‘A Justiceira’’. O seriado policial - idealizado e dirigido por Daniel Filho - pretende repetir o sucesso de ‘‘Confissões de Adolescente’’ e ‘‘A Vida Como Ela ɒ’, ambos filmados em película de 35mm.
Para tanto, a Globo decidiu apostar alto na criação do primeiro seriado tipo exportação da tevê: importou armas eletrônicas, aprimorou efeitos especiais e chegou até a contratar os mexicanos Javier Lambert e Federico Farfan, coordenadores de dublês. ‘‘Nossa maior preocupação é dar um caráter verossímil aos efeitos especiais’’, assegura James Rophman, gerente de projetos de ‘‘A Justiceira’’.
Apesar do orçamento de US$ 400 mil ser considerado alto para os padrões brasileiros - cada um dos 18 primeiros capítulos de ‘‘O Amor está no Ar’’, por exemplo, custou US$ 100 mil -, ‘‘A Justiceira’’ está longe de agradar aos aficionados pelo gênero. Os tiros foram muitos e os resultados, poucos.
‘‘Enquanto cada episódio de ‘‘A Justiceira’’ custa US$ 400 mil, os enlatados americanos não saem por menos de US$ 5 milhões’’, justifica o diretor José Alvarenga Jr.
A tentativa de conferir realismo às sempre difíceis cenas de ação, no entanto, não é novidade para Wolf Maya. Famoso por rechear os primeiros capítulos de suas novelas com arriscadas cenas de ação, Wolf reconhece que os diretores brasileiros ainda não dispõem dos recursos necessários para dar asas à sua imaginação. ‘‘A preparação técnica dos dublês brasileiros fica muito a desejar’’, lamenta.
Em ‘‘O Amor está no Ar’’, Ignácio se deparou com um incidente que denuncia o despreparo dos profissionais brasileiros. Numa cena, o dispositivo eletrônico detonou os vidros de uma janela e espalhou estilhaços por cima de todos os cinegrafistas. ‘‘Esse jeitinho brasileiro de fazer as coisas me faz perder a paciência’’, troveja.
Entre os mais de 40 roteiros escritos no Brasil e no exterior, o roteirista Doc Comparato faz questão de citar a batalha de ‘‘O Tempo e o Vento’’, minissérie adaptada da obra de Érico Veríssimo, como uma de suas cenas favoritas. Dirigida por Paulo José, a cena da batalha contou com cerca de 500 pessoas, entre técnicos, atores e figurantes. Um recorde, no que diz respeito às produções de tevê nacionais. ‘‘Acabamos com esse negócio de que só americano sabe dirigir cenas de ação’’, opina Paulo José.
Para aqueles que aguardam cenas do próximo capítulo, o diretor José Alvarenga Jr. adianta que o próximo projeto da Globo, que substitui ‘‘A Justiceira’’, deve seguir a mesma linha dos socos, tiros e explosões. ‘‘Estamos convencidos de que o público está interessado em assistir mais e mais espetáculos de ação’’.

mockup