VISUAIS -

Heróis e vilões usam máscara no grafite

Superman e o Coringa aparecem de máscaras nos muros de Londrina aderindo à proteção contra o covid-19

Walkiria Vieira - Grupo Folha
Walkiria Vieira - Grupo Folha

Muros servem para delimitar espaços, criar proteção e também são uma ferramenta de comunicação, essa última é a  função principal para o artista plástico e docente Jota Dias, por meio de sua arte mural. Dois recentes trabalhos de Dias estão nas ruas de Londrina para dar uma mensagem: use máscara de proteção individual em tempos de pandemia. 


O Coringa grafitado por Jota Dias na Av.JK: personagem 'fora da lei' ficou obediente na pandemia
O Coringa grafitado por Jota Dias na Av.JK: personagem 'fora da lei' ficou obediente na pandemia | Gustavo Carneiro
 


Na avenida Juscelino Kubitschek, nas proximidades do Colégio Vicente Rijo, está o Coringa, personagem popular e supervilão mascarado. "O Coringa é um fora da lei, mas nesse momento da pandemia, está de máscara, obediente. A proposta é essa, promover a necessidade do uso de máscara a todas as pessoas. Também na JK, próximo de onde está o Coringa, o herói Superman ganhou uma pintura no último domingo, (31). Devidamente paramentado,  aderiu ao uso de máscara, numa prova de que este não é um acessório, mas um equipamento individual de proteção. "Se até o Superman, com seus super poderes, reconhece a necessidade, tão bem quanto a fragilidade da vida diante do Covid-19 e seu poder de destruição, quem somos somos para ignorar a pandemia?", reflete Jota. 




 

 

Natural de Rolândia, Jota Dias é formado em Artes Visuais pela UEL - Universidade Estadual de Londrina. O artista plástico é especializado em Arte-Educação e em Arte e TV - Criação, Produção e Pós-Produção de Rádio e TV. "Esse é um trabalho autoral. Perto do Colégio Vicente Rijo, onde fiz primeiramente o Coringa, já existe bastante arte, então procurei um respiro para não intervir no que já estava presente", explica.


Brincar com o universo surrealista é uma prática para o artista urbano que circula entre o grafite, a arte mural e a street art. "Aprendi pintando dentro de casa, mas o trabalho em um muro, na rua, é um momento mágico. A rotina do dia a dia é interrompida e o contato com o público de diferentes gerações é algo positivo, lúdico - ainda mais quando pensamos que um muro está ali para separar, para preservar a propriedade e nos apropriamos dele como um suporte e ele passa a ser um elemento de comunicação, um ideia, uma provocação", diz. 


Além do trabalho autoral, Jota realiza trabalhos comerciais para diferentes segmentos. Loja de carros, igreja, oficina de moto, residências ganham identidade com a pintura do autor. "As lojas comerciais muitas vezes têm como objetivo dar mais visualidade ao espaço, chamar a atenção do público ou harmonizar o ambiente Não é só decorativo, mas também podem cumprir essa função", esmiúça. 


Carão refez com máscara um de seus grafites mais populares que pode ser visto no Bosque Central
Carão refez com máscara um de seus grafites mais populares que pode ser visto no Bosque Central | Gustavo Carneiro
 


Na mesma vibe, o integrante do coletivo de grafiteiros CapStyle  Tadeu Jr., mais conhecido como Carão, fez recente intervenção em uma arte já existente na avenida Rio de Janeiro. Num gesto de cuidado, colocou uma máscara de proteção na criança que está em primeiro plano na imagem. "É um trabalho que foi feito em 2015 e meu objetivo ao inserir a máscara foi o cuidado que temos que ter nesse momento. "É uma parada muito louca, nem eu , nem pai e nem meu avô nunca vivemos uma situação dessa", alerta. Autodidata, Carão soma 20 anos de experiência 


Homenagem a Nitis Jacon


Grafite de Nitis Jacon, feito por Jota Dias, emocionou a família da presidente de honra do Filo
Grafite de Nitis Jacon, feito por Jota Dias, emocionou a família da presidente de honra do Filo | Gustavo Carneiro
 


Na Rua Pio XII, na altura do Colégio Hugo Simas, no centro de Londrina, Jota também fez o retrato da médica e presidente de honra do Filo (Festival Internacional de Londrina), Nitis Jacon. "Foi uma forma de homenagear essa grande artista e diretora que tivemos aqui no Norte do Paraná e inclusive a família ficou bastante comovida com a homenagem. Os filhos entraram em contato comigo e eu me senti muito honrado por tocar o coração da família", conta. Sob a direção de Nitis, o FIlo conquistou projeção internacional e se transformou no mais tradicional e longevo festival de artes cênicas da América Latina.


Serviço:



Conheça mais os trabalhos dos artistas pelo instagram jota_dias e caraocapstyle


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