Os britânicos amam Philip Pullman, 64. O resto do mundo já conhece o escritor, principalmente depois do sucesso da trilogia que abre com ''A Bússola Dourada''. Mas outra série também é um fenômeno em seu país natal. Entre adolescentes ingleses, Sally Lockhart provoca ''frisson'' semelhante a Harry Potter. Ela é a estrela de quatro livros de Pullman, e o terceiro acaba de sair no Brasil.
''Sally e o Tigre no Poço'', de 1991, tem trama ambientada em 1881. Pullman é mais um autor britânico que adora eleger a Inglaterra vitoriana como cenário. Virou moda. É possível ler o volume sem conhecer os anteriores, ''Sally e a Maldição do Rubi'' e ''Sally e a Sombra do Norte''. Mas ter familiaridade com o perfil dos personagens torna tudo mais agradável.
Para resumir: no primeiro livro, Sally, aos 16, investiga o assassinato de seu pai, um mercador de ópio. No segundo, seis anos depois, ela abre uma consultoria financeira, algo incomum para uma mulher vitoriana, e enfrenta o escroque Axel Bellman.
Na terceira aventura, ela vive com Harriet, sua filha de três anos - o pai da criança morreu no livro anterior. Quando a vida parece tranquila, um homem chamado Arthur Parrish alega ser seu marido e pai de Harriet. Sally, envolvida numa teia de documentos falsos, fica sem a menina e seus bens.
Nas ruas, ela se envolve com imigrantes russos pobres, explorados por um misterioso sujeito, Tzaddik. E as desventuras de Sally podem estar ligadas a ele.
Professor secundário por anos, Pullman criou a personagem em peça que escreveu para seus alunos encenarem. Depois, ele adaptou o material para os livros (o quarto é ''The Tin Princess'', a princesa de lata, inédito aqui). E se tornou um caso raro de best-seller juvenil com densidade.
Serviço
- Sally e o tigre no poço
Autor - Philip Pullman
Editora - Objetiva
Quanto - R$ 29,90 (416 págs.)

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