''As pessoas (...) tanto homens quanto mulheres, andam nuas assim como suas mães as pariram, exceto algumas das mulheres que cobrem suas partes com uma única folha de grama ou tira de algodão (...). Eles não possuem armas, exceto varas de cana cortadas (...), e têm receio de usá-las (...); são tratáveis e generosos com o que possuem (...). Entregavam o que quer que possuíam, jamais recusando qualquer coisa que lhes fosse pedida (...).'' Trecho da Carta de Cristóvão Colombo, de 15 de fevereiro de 1493.
Há controvérsias sobre o verdadeiro caráter de Cristóvão Colombo. Um homem preocupado com o destino da nova terra que acabara de descobrir, ou um conquistador mercenário que não pensava duas vezes em levar vantagens em cima dos nativos das ilhas? As discussões avançam história adentro, sem que se chegue a um consenso. O certo é que realmente ele defendeu os índios e se posicionou contra os colonos espanhóis.
Entretanto, pode também ter se aproveitado da autonomia que desfrutava como dignatário das terras recém-descobertas e iniciado uma corrida exploratória em busca de riquezas. Colombo pode muito bem ter entendido que os soberanos iriam retirar mais cedo ou mais tarde o apoio e tentado se apoderar do maior número possível de bens das ilhas.
Em 1992, quando a América comemorava 500 anos de descobrimento, os debates acerca da empreitada de Colombo se acirraram. Chegou-se a dizer que Colombo barganhava com os índios ouro por cachorros. Se Colombo agiu assim ou não, quem é que sabe, mas em uma coisa todos concordam: a colonização espanhola foi sanguinária e os conquistadores agiram como predadores.
Diferente da colônia de povoamento própria dos Estados Unidos e Canadá, na América do Norte, os demais países da América Central e do Sul sofreram as agruras da colônia de exploração. Os europeus estavam mais é preocupados em retirar do que construir. Está aí a razão principal do subdesenvolvimento das nações latino-americanas.
Na capital Santo Domingo foi construído um mausoléu de proporções imensas e gosto duvidoso para abrigar o que restou dos ossos de Cristóvão Colombo, disputados com unhas e dentes por Espanha e a República Dominicana. O povo local jura que os restos que estão no Farol de Colombo, em forma de cruz, são mesmo do descobridor do Novo Mundo. Dizem por lá que a nora dele, Maria de Toledo é quem trouxe a ossada dele para a capital, em 1544. O local vale uma visita turística. (M.B.)

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