A história começa com uma explosão de carro. É só o prenúncio do que vai ocorrer nas 114 páginas seguintes de ‘‘Zestas’’, o mais polêmico álbum de quadrinhos da Espanha.
‘‘Zestas’’ acaba de desembarcar no Brasil pela editora Conrad. É criação de Ernesto Murillo e Joaquín Resano. Pinta um retrato nada de cor-de-rosa da juventude basca submetida à guerra promovida pelo governo espanhol contra o ETA (organização separatista basca).
O protagonista principal da história não quer salvar a humanidade dos vilões, como nos gibis de super-heróis americanos. ‘‘Zestas’’ é um junkie fora-da-lei que sustenta o vício em heroína assaltando postos de gasolina. Por onde passa, deixa um rastro de sangue. Nas ações, usa as armas que tomou emprestado da irmã, ‘‘Maia’’, ativista política e guerrilheira do ETA.
No prefácio, o autor conta como se inspirou para criar os personagens, os ambientes e as situações. Lembra de uma conversa que teve com um amigo numa mesa de bar de submundo onde ambos flagrariam um traficante raspando o gesso das paredes de uma pensão em frente para guardá-lo num papelote e depois enganar os viciados. ‘‘Naquela pensão, além de se vender todos os acessórios para a utilização de drogas, alugavam-se quartos pelo período de meia hora para quem quisesse se drogar’’ – escreve.
É essa barra-pesada que ele retrata com contundência nas páginas de ‘‘Zestas’’, a mais controversa HQ publicada pela revista El Víbora, ninho de artistas de vanguarda da Espanha.

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