Hermínio Bello,
o descobridor
Clementina de Jesus morreu com presumíveis 87 anos, no dia 19 de julho de 1987. É que não há nenhum registro que comprove o ano de seu nascimento, embora o pesquisador Hermínio Bello de Carvalho bata na tecla de que ela teria nascido no dia 7 de fevereiro de 1902, em Valença (RJ). Sabe-se com certeza que era filha do estucador Paulo Batista dos Santos, também violeiro, e da parteira Amélia de Jesus dos Santos, beneficiada pela Lei do Ventre Livre.
Ao todo, Clementina deixou nove discos e três compactos. O primeiro foi elepê gravado em 1966. O último foi pela Eldorado - ‘‘O Canto dos Escravos’’, de 82, pela gravadora Eldorado. Dos mais antológicos, destacam-se ‘‘Rosa de Ouro’’ (65) e ‘‘Rosa de Ouro 2’’ (66), ‘‘Gente da Antiga’’ (Com Pixinguinha e João da Bahiana, de 68) e ‘‘Clementina e seus Convidados’’ (79).
Clementina de Jesus ingressou na carreira artística já sexagenária. Foi através de Hermínio Bello de Carvalho que, no início da década de 60, viu naquela figura forte um talento bruto que precisava apenas ser amparado e encaminhado. Em Quelé - seu apelido de criança -, o pesquisador constatou uma vastidão de estilos musicais que o deixou fascinado.
A primeira apresentação pública ocorreu em 7 de dezembro de 64, no Teatro Jovem, via Hermínio Bello de Carvalho a quem, Clementina, respeitosamente chamava de ‘‘pai’’. Todos ficaram embevecidos. A consagração, entretanto, ocorreu no ano seguinte com o show ‘‘Rosa de Ouro’’, assinado também pelo pesquisador.
O espetáculo revelaria também outros dois talentos: Elton Medeiros e Paulinho da Viola, além de retirar Aracy Cortes do ostracismo já evidente. Disse ela certa vez, sobre o show: ‘‘Na estréia tomei tanto conhaque para ganhar coragem que até hoje, todo o final de ano, a fábrica me manda uma caixa’’. Clementina, mesmo com todo o descaso sofrido nos últimos anos de vida, sabia também manter a dignidade com bom humor.
(A.M.J.)

mockup