Brasília - A lenda brasileira do jazz Hermeto Pascoal morreu aos 89 anos, informou sua família no sábado (13).

Conhecido como "bruxo" por sua capacidade de fazer música com elementos variados, Hemeto "fez sua passagem para o plano espiritual, cercado pela família e por companheiros de música", afirmou uma mensagem publicada em sua conta oficial no Instagram.

"Pedimos respeito e privacidade neste momento. Informações sobre despedidas públicas serão divulgadas em breve nos canais oficiais", acrescenta o texto, assinado pela família e pela equipe do artista.

A causa da morte não foi divulgada. Hermeto estava internado em um hospital no Rio de Janeiro.

O velório do artista será realizado nesta segunda-feira (15), na Areninha Cultural Hermeto Pascoal, em Bangu, no Rio de Janeiro.

Carreira atravessou fronteiras

Nascido em 1936, na pequena cidade de Lagoa da Canoa, interior de Alagoas, Hermeto Pascoal era autodidata. Começou a tocar acordeon e flauta ainda na infância, e aos 15 anos já atuava como músico profissional, mudando-se com o irmão para o Recife em busca de oportunidades.

Considerado um gênio da música experimental, Hermeto ficou conhecido por transformar sons do cotidiano em arte — desde o barulho da água até o sopro do vento.

Sua carreira atravessou fronteiras, com colaborações internacionais e reconhecimento mundial. Ao longo da vida, recebeu diversos prêmios, entre eles o Grammy Latino, conquistado em três oportunidades.

Com sua emblemática barba branca, assim como seus cabelos, ele tornou-se mundialmente conhecido ao lado de Miles Davis, com quem tocou em várias oportunidades, e suas composições foram interpretadas inúmeras vezes tanto por Davis quanto por outros grandes nomes da música.

Em 2024, aos 88 anos, lançou o disco de músicas inéditas Pra você, Ilza, uma homenagem à esposa Ilza da Silva, com quem foi casado por mais de 40 anos. Juntos, tiveram seis filhos. Hermeto também deixa 13 netos e 10 bisnetos.

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. | Foto: Georges Gobet - AFP

'Nos despedimos de um gênio'

“Hoje nos despedimos de um gênio”, afirmou Caetano Veloso em uma mensagem no Instagram.

“Hermeto é (...) um dos pontos mais altos da história da música no Brasil e que se expõe ao mundo com muita clareza e força”, acrescentou.

"Tive discussão pública com ele. Mas o que importa é a grandeza musical que era Hermeto", gravou o cantor.

Talento e incansável criativadade

Por meio de nota, o presidente Luiz Inácio da Silva lamentou a morte. "O talento e a incansável criatividade deste alagoano de Arapiraca o consagraram internacionalmente, e influenciaram gerações de músicos de todo o mundo", disse o presidente, lembrando que em 2010 ele foi condecorado com a Ordem do Mérito Cultural.

"Hermeto sempre nos ensinou a não deixar a tristeza dominar. Por isso, convido os brasileiros a celebrarem sua história e sua música. Minha solidariedade à família, aos amigos e a todos que foram inspirados por sua arte. O Brasil se despede com gratidão deste grande artista." (Com Secom Planalto)

(Atualizada)

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