Celeumas à vista. De novo, Marilyn Manson arma seu cirquinho herege para a alegria da molecada e repugnância de moralistas, conservadores e religiosos de todos os matizes.
A turnê promocional do álbum Mechanical Animals já está provocando protestos, orações e petições nos Estados Unidos repetindo a histeria coletiva que tomou conta das cidades americanas no primeiro semestre de 97.
Só pela capa, que traz Marilyn peladão com cabelos pintados de vermelho e seios artificiais, algumas das maiores cadeias de lojas do país decidiram boicotar o produto em suas prateleiras. O disco, o quarto da banda, foi lançado há poucas semanas no mercado internacional e está chegando por aqui através da gravadora Universal.
Mais melodioso que o polêmico Antichrist Superstar (seu trabalho anterior), o novo CD traz como principal novidade a incorporação no próprio som das influências mostradas externamente na construção de sua imagem, ou seja, a estética glam celebrada em roupas, maquilagem e ambiguidade sexual.
Nas músicas, a teia de referências do artista enfatiza a vertente explorada por David Bowie e Marc Bolan no começo dos anos 70 contribuindo para alimentar a onda retrô em torno do conceito e cuja badalação deverá se intensificar quando o filme ‘‘Velvet Goldomine’’ (destaque da atual Mostra Internacional de Cinema de São Paulo) entrar em circuito comercial.
Mechanical Animals foi produzido por Michael Beinhorn e contou com a colaboração de Billy Corgan, do Smashing Pumpkins. Como o projeto anterior, o álbum abre com faixas devastadoras. A sequência de ‘‘Great Big White World’’, ‘‘The Dope Show’’ e a música-título constituem uma miniantologia de refrões radiofônicos e guitarras corrosivas.
Manson comprova que não é só de fazer pose. Os arranjos combinam o acústico e o eletrônico investindo na sonoridade glam, no hard rock e no pop gótico de grupos como Bauhaus e Siouxsie Sioux and the Banshees. A presença de Billy Corgan se faz presente na canção ‘‘The Speed of Pain’’, na qual os acordes de violão e os vocais sussurrados remetem de cara ao Smashing Pumpkins.
A aproximação com o som das bandas alternativas não vem por acaso. Manson já declarou gostar de Janes Addiction, Oasis e Radiohead. No Brasil, Mechanical Animals chega às lojas simultaneamente ao homevideo Dead to the World, cujo subtítulo anuncia ‘‘A Turnê que a América não quis que Você Visse’’.
A fita flagra a banda durante a controvertida excursão mundial do álbum Antichrist Superstar, que passou inclusive pelo Brasil. Inclui passagens de palco em que Manson rasga a Bíblia e imagens de passeatas religiosas pedindo o cancelamento de seus shows.

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