Herdeiro de Bob Marley brilha por mérito próprio
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 03 de abril de 2003
Diego Assis<br> Agência Folha 
São Paulo - Tem razão Ziggy Marley quando afirma que faz mais que reggae. E é justamente esse algo ''mais'' que salva, em muitos momentos, ''Dragonfly''.
Descontadas as óbvias - violãozinho e fogueira -, ''Dragonfly'' (a tal que fala das abelhas, das libélulas e dos cachorrinhos) e ''True to Myself'', o álbum começa a esquentar mesmo na terceira faixa, ''I Get Out'', flertando com o dub (literalmente o ''lado B do reggae'') e o rock funkeado.
É bem verdade que às vezes a produção ensolarada deste ''Dragonfly'', aliada às letras próximas da ingenuidade, podem aproximar o disco de Ziggy da mesmice do pop reggae mundial dos últimos anos, mas, de certa forma, o filho de Bob brilha por mérito próprio em faixas como a atualíssima ''Shalom Salaam''. A voz, tão parecida, quase assusta.
Novo milênio e as ''positive vibrations'' (vibrações positivas) jamaicanas sucumbem ao trompete triste de ''Melancholy Mood''.
Os ''Good Old Days'' (bons velhos dias) do estilo podem até sobreviver no gogó, mas certamente não na trilha de Ziggy.


