Agência Folha
O músico Herbert Vianna deve voltar ao estúdio para gravar um novo disco de seu grupo Paralamas do Sucesso, com lançamento previsto para o segundo semestre de 2002. Ele já canta, toca, compõe e ensaia cotidianamente com a banda. Oito meses após seu acidente de ultraleve, a avaliação do neurocirurgião que o acompanha, Paulo Niemeyer, é de que no período de dois anos Herbert encerrará um ciclo de reorganização cerebral, em que neurônios se readaptam para suprir áreas danificadas no acidente.
''Ele tem melhorado sempre, e acho que vai melhorar mais ainda. É o que se chama de plasticidade neuronal, e seus neurônios ainda estão se adaptando'', diz Niemeyer.
A recuperação de Herbert foi exposta pela primeira vez no domingo, em reportagem do programa ''Fantástico'', da Rede Globo. O músico apareceu falando com fluência e cantando, de forma ainda titubeante, para pacientes da enfermaria do Hospital Sarah Kubitschek, em Brasília, onde ele faz sessões de reabilitação. Cantou ao violão ''Óculos'', ''Melô do Marinheiro'' e ''Que País É Este?'', da Legião Urbana.
Herbert ainda tem lapsos de memória recente, mas consegue se lembrar de toda sua vida e de todas as suas músicas. Segundo Niemeyer, a fase de confusão mental já foi superada. ''Há essa fase de luto e depressão por que passam todos que vivem um sofrimento como esse. Mas Herbert está plenamente consciente do que aconteceu'', diz o médico.
Em depoimento gravado durante uma sessão de seu tratamento, exibido pelo programa, Herbert falou pela primeira vez em público sobre a mulher, Lucy Vianna, que morreu no acidente. ''Nós ainda vamos nos encontrar espiritualmente'', disse. O processo que Herbert sofre pela morte de sua mulher no acidente continua em tramitação. ''Quero continuar com a vida, me dedicar aos meus filhos e levá-los a ver a beleza e a boa vibração de um ser humano, que não pode ser julgado por como ele está andando'', disse.
Exames realizados durante o período de 16 a 21 de julho no hospital já tinham mostrado que o músico poderia voltar a tocar e a cantar. O músico ficou paraplégico e perdeu parte da memória depois de um acidente de ultraleve em Mangaratiba (RJ), quando perdeu a mulher, Lucy Vianna. Ele ficou internado durante 44 dias e, parte do período, em coma. O último boletim médico sobre o tratamento de Herbert, divulgado em julho, mostrou que as funções de linguagem, escrita, inteligência, atenção, criatividade, planejamento, cálculo, motivação e iniciativa encontram-se preservadas no cérebro do músico.

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