Herança indígena na culinária da região Norte
Belém - A Bacia Amazônica deu à Região Norte a base de sua gastronomia: o pescado. E foram os índios que mais influenciaram diretamente os hábitos alimentares locais, onde a mandioca está presente na maioria dos pratos, seja assada, cozida ou em forma de farinha.
É provável que nenhum outro Estado aproveite tanto da mandioca quanto o Pará. O tucupi, molho utilizado em muitos pratos da culinária local, é extraído das raízes do tubérculo e seria mortal se não fosse cozido demoradamente antes de consumido. A maniçoba - espécie de feijoada sem feijão - é feita a partir das folhas da maniva, a planta que produz a mandioca. Deve ser cozida por sete dias para retirar o veneno.
Um passeio pelo Mercado Ver-o-Peso, em Belém, é essencial para conhecer e entender a cultura gastronômica local. Lá, pode-se comprar uma infinidade de temperos, como a pimenta-de-cheiro, a alfavaca, o jambu, cheiro verde, chicória e tantos outros. Não há lugar melhor para comprar peixes, como o pirarucu - vendido seco e salgado, como o bacalhau. Frutas típicas, como o açaí e o cupuaçu, também chegam, fresquinhas, todos os dias. Isso sem falar nos boxes de alimentação, onde é possível saborear um tacacá - caldo feito com tucupi, goma de mandioca cozida, jambu e camarão seco - bem autêntico.
Depois de passar por uma revitalização em 2000, as Docas, na área portuária, transformaram-se em uma badalada parte de Belém, com bares e restaurantes. Uma das casas instaladas ali é o restaurante Lá em Casa (91-3242-4222), cuja matriz está há 15 anos na Avenida Governador José Malcher. A história do restaurante, no entanto, é de 1972, quando Ana Maria Martins começou a servir pratos típicos em sua casa.
Hoje, a cozinha é comandada por seu filho Paulo Martins. Respeitado entre colegas de renome, como Laurent Suaudeau, Martins cria um cardápio baseado em ingredientes locais, com um toque mais refinado.
''Antigamente, achava um sacrilégio modificar a receita do pato no tucupi'', conta. Hoje, no entanto, ele cria pratos como o pato do imperador, bem menos caudaloso que o original, ou o pato desconstruído, com espuma de tucuri. Outra criação foi o picadinho de tambaqui, feito com o lombo do peixe moído.
A gastronomia do meio do mundo é um dos atrativos que a Secretaria de Turismo do Amapá começa a trabalhar para aumentar o fluxo de turistas em Macapá. Segundo a secretária, Fátima Pelaes, há uma parceria com o Sebrae e o Senac para a realização de cursos de culinária, a fim de valorizar a cultura e os costumes locais. Este ano, será realizado pela segunda vez o Festival de Turismo do Equinócio da Primavera, em setembro. (A.M./AE)





