Ney Latorraca teve a quem puxar. Filho de Dona Nena, uma ex-vedete carismática, bem-humorada e exibida, assume uma postura ao mesmo tempo saudosa e orgulhosa para deixar claro que ela foi sua fonte inspiradora. ‘‘Ela fez o Ney’’, assume.
A infância foi muito pobre, mas desde o colégio sabia o que a vida lhe reservava. ‘‘Todo mundo nasce para brilhar. Mas isso tudo é um jogo, a gente tem é de saber jogar’’, arrisca. Ney soube jogar. Mas não sem antes enfrentar dificuldades.
Quando pequeno, a família era tão humilde que não tinha dinheiro nem para comprar o uniforme do colégio. ‘‘Minha mãe fazia meu uniforme com as cortinas’’, exagera. Amiga, mas ao mesmo tempo severa, ensinou ao filho como conviver na pobreza sem perder a classe.
Certo dia, quando Ney reclamou da comida que a mãe havia lhe servido, ela lhe deu uma boa lição. ‘‘Ela me disse que nunca mais reclamasse de qualquer comida e me fez comer picadinho com vagem durante um ano’’, lembra Ney, hoje com bom humor. ‘‘Mas sem nada cair de mão beijada a vida ficou mais saborosa’’, acredita.
A morte da mãe, há alguns anos, foi um choque para o ator. Mas, emocionado, ele lembra com orgulho que, mesmo na morte, ela brilhou, já que o enterro transformou-se num acontecimento.
‘‘Tudo ocorreu de forma finíssima. Ela teria ficado contente se estivesse viva’’, acredita Ney, que com a morte da mãe diz ter redescoberto o amor do rígido e pouco amoroso pai, que acreditava haver se extinguido. ‘‘Descobri que amei os dois de forma igual’’, constata.

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