Herança genética
Ney Latorraca teve a quem puxar. Filho de Dona Nena, uma ex-vedete carismática, bem-humorada e exibida, assume uma postura ao mesmo tempo saudosa e orgulhosa para deixar claro que ela foi sua fonte inspiradora. Ela fez o Ney, assume.
A infância foi muito pobre, mas desde o colégio sabia o que a vida lhe reservava. Todo mundo nasce para brilhar. Mas isso tudo é um jogo, a gente tem é de saber jogar, arrisca. Ney soube jogar. Mas não sem antes enfrentar dificuldades.
Quando pequeno, a família era tão humilde que não tinha dinheiro nem para comprar o uniforme do colégio. Minha mãe fazia meu uniforme com as cortinas, exagera. Amiga, mas ao mesmo tempo severa, ensinou ao filho como conviver na pobreza sem perder a classe.
Certo dia, quando Ney reclamou da comida que a mãe havia lhe servido, ela lhe deu uma boa lição. Ela me disse que nunca mais reclamasse de qualquer comida e me fez comer picadinho com vagem durante um ano, lembra Ney, hoje com bom humor. Mas sem nada cair de mão beijada a vida ficou mais saborosa, acredita.
A morte da mãe, há alguns anos, foi um choque para o ator. Mas, emocionado, ele lembra com orgulho que, mesmo na morte, ela brilhou, já que o enterro transformou-se num acontecimento.
Tudo ocorreu de forma finíssima. Ela teria ficado contente se estivesse viva, acredita Ney, que com a morte da mãe diz ter redescoberto o amor do rígido e pouco amoroso pai, que acreditava haver se extinguido. Descobri que amei os dois de forma igual, constata.





