Os nordestinos se apropriaram da literatura de cordel de tal forma que muita gente imagina que o gênero tenha nascido no Brasil. No entanto, o estilo de descrever fatos e pensamentos em versos e rimas chegou ao País pelas mãos dos europeus. "Ela surgiu na idade medieval, época em que os trovadores declamavam versos de castelo em castelo. Depois, com o surgimento da escrita, foram registrados textos de cordel em terras bastante remotas, até no Líbano, com textos escritos em árabe. Mas foram os espanhóis e portugueses que trouxeram a literatura de cordel para o Brasil", explica o pesquisador e professor Alcides Carvalho, que desenvolveu pesquisas sobre o tema para os cursos de mestrado e doutorado em literatura popular brasileira cursados na França.
Segundo ele, engana-se também quem pensa que a produção de literatura de cordel é destinada a um público limitado e que a maioria é produzida no Nordeste Brasileiro. "Devido à migração dos nordestinos para os grandes centros, a maioria dos livros do gênero é produzida em São Paulo e no Rio de Janeiro. Enquanto os livros de literatura brasileira somam cerca de três mil títulos, o livretos de cordel chegam a 25 mil. Além de ter um público já garantido, a literatura de cordel é produzida em livretos com no máximo 36 ou 42 páginas. Isso também facilita a publicação em grande escala", argumenta.
O sucesso de vendas da literatura de cordel no meio literário é atribuído por Carvalho à popularidade e riqueza de temas abordados pelo gênero. "A literatura de cordel é riquíssima e traduz de uma forma muito ampla a alma do brasileiro e a forma de vida de uma grande parcela da população", destaca.
Durante o período em que realizou pesquisas para os cursos de mestrado e doutorado sobre o tema, Carvalho viajou por diversas cidades brasileiras catalogando livretos escritos em cordel. "Cheguei a colecionar cinco mil títulos", calcula. A coleção foi doada para o acervo da Biblioteca da Universidade Estadual de Londrina (UEL). (M.R.)

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