HENRIQUE CAZES RESGATA WALDIR AZEVEDO
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terça-feira, 13 de janeiro de 1998
Sylvia Colombo Agência Folha 
Arquivo FolhaHenrique Cazes: estudioso do samba e do choro traz interpretação cheia de improvisos das músicas de AzevedoPouco antes de morrer, o instrumentista Waldir Azevedo pediu que a gravadora Continental desconsiderasse seus 25 LPs e 50 discos de 78 rotações e mantivesse apenas as suas obras-primas.
O pequeno capricho revela o preciosismo deste que foi o maior tocador de cavaquinho do Brasil. Waldir Azevedo (1923-1980) é homenageado no CD Relendo Waldir Azevedo (RGE), de Henrique Cazes.
Além de especialista em cavaquinho, Cazes é um estudioso do samba e do choro brasileiro. No disco, ele traz, numa interpretação leve e cheia de pequenos improvisos em relação ao original, as músicas que podem ser consideradas megahits da época. Brasileirinho (1949), um choro composto quase que numa nota só, passou pelas mãos de Carmem Miranda, Percy Faith, Angela Maria e a Filarmônica de Boston, além de ter servido como trilha sonora para campanha política em 1950. Delicado (1951) foi pelo mesmo caminho: além de campeão de vendas no Brasil, recebeu no período 48 gravações na Europa e cerca de 28 nos EUA.
Com um estilo menos dado a arroubos de energia, como era corrente no original, Cazes atravessa o repertório mais clássico de Azevedo: Pedacinhos do Céu, Carioquinha e Mágoas de Cavaquinho, entre outros.
Uma discussão acalorada agitava o cenário musical brasileiro nos anos 50, tentando eleger quem era o melhor instrumentista: Jacob do Bandolim ou Waldir Azevedo. Não há um vencedor nessa guerra, mas ficaram claras as diferenças.
Primeiro porque Jacob tocava bandolim, que é um instrumento mais complexo - possui cordas duplas, enquanto o cavaquinho tem cordas simples - e segundo porque Azevedo apostava justamente na simplicidade de seu instrumento para ganhar na velocidade de suas composições.
Waldir Azevedo foi um dos mais produtivos músicos de sua geração. Tendo iniciado como figurante do grupo regional de Dilermando Reis, tornou-se artista de projeção internacional e viveu poucos anos de sua vida sem gravar um disco, nem mesmo quando perdeu parte de um dedo cortando a grama de seu quintal.


