Henfil ganha homenagem hoje na Tv Cultura
PUBLICAÇÃO
sábado, 01 de fevereiro de 2003
Agência Folha 
Há quem diga que qualquer vida, por mais ordinária que seja, rende emocionantes narrativas. Em ''Edifício Master'', por exemplo, atualmente em cartaz na cidade, o documentarista Eduardo Coutinho prova que o mais pacato dos cidadãos pode ter uma história repleta de reviravoltas.
E que tipo de história rende a vida de um biografado que, além de cidadão, tem a não muito comum alcunha ''um dos maiores cartunistas brasileiros'' e satirizava os militares em plena ditadura? Inédito na TV aberta, o documentário ''Henfil em Profissão Cartunista'', que a Cultura exibe hoje, tenta resumir, em 60 minutos, a trajetória de Henrique de Souza Filho, o Henfil (1944-1988).
Criador de personagens que entrariam para o imaginário brasileiro como Graúna, Fradinho e Ubaldo, o Paranóico, Henfil teve uma história que trafegava com facilidade entre a comédia mais escrachada e insana, o drama rasgado e uma utópica luta política. Para abarcar tantas saídas possíveis, a diretora, Marisa Furtado de Oliveira, opta pelo caminho da sobriedade ao exibir entrevistas de arquivo com o próprio cartunista e figuras que, de alguma forma, foram ligadas a ele, como Ziraldo, Laerte, Will Eisner (que relembra a rápida e polêmica passagem do ''antiamericano'' Henfil pelos jornais americanos), Zuenir Ventura, Zico, entre outros.
Graúna, considerada a personagem que mais representava Henfil, aparece em versão animada. Do lado humorístico, pode-se verificar que, mesmo em plenos anos 2000, os passos politicamente incorretos de seus personagens ainda podem chocar. As lágrimas ameaçam surgir quando relembra-se a debilitada saúde do cartunista: hemofílico, contrairia o HIV em uma transfusão de sangue, sendo uma das primeiras vítimas públicas da Aids. Completa o tripé o envolvimento com o PT e o movimento operário do ABC nos anos 70.
Especial ''Henfil em profissÃo cartunista''. Hoje, às 21 horas, na Tv Cultura.


