Thales de Menezes
Agência Folha
A quantidade de discos póstumos de Jimmy Hendrix é impressionante. Mas ‘‘Live at Woodstock’’, que sai do baú do guitarrista, tem bons motivos para ser lançado e consumido por eternos fãs e novos interessados em rock-and-roll. Trata-se de um CD duplo (lançamento Universal Music), com as músicas tocadas por Hendrix no maior festival da história do pop, em agosto de 1969, um ano antes da morte do guitarrista, sufocado pelo próprio vômito. O material já apareceu parcialmente nas duas trilhas sonoras do documentário sobre o festival e em inúmeras coletâneas do artista, mas só agora as performances antológicas ganham um álbum próprio. E não acaba aí. ‘‘Live at Woodstock’’ também sai em fita de vídeo, que enfoca o segundo show de Hendrix, que fechou o festival. Se o disco já arremessa o ouvinte em solos lisérgicos, o vídeo é uma festa para os sentidos. A edição é esperta. Em poucos minutos de imagens captadas nos alqueires da fazenda que abrigou o evento, o espectador pode ter uma boa idéia do que foi a maior festa do flower power.
Pena que a fita é curta, com apenas 11 músicas - o CD traz 16 faixas. O show deveria acontecer no final da terceira e última noite do festival,
mas os atrasos fizeram Hendrix subir ao palco com o sol da manhã. Para rebater o clima de fim de festa, Hendrix detonou. Uma sequência de 20 minutos, com os clássicos ‘‘Voodoo Child (Slight Return)’’ e ‘‘Purple Haze’’ e uma versão matadora do hino nacional americano, prova a genialidade de Hendrix e prolonga no ouvinte o sonho hippie. Paz e amor, bicho.

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