Helena Katz comenta balés de Londrina
Com olhos extremante atentos e marcando o ritmo da música com as mãos, Helena Katz acompanhou a apresentação feita exclusivamente para ela do segundo ato do espetáculo ''Giselle'', apresentado pela Escola Municipal de Dança, de 5 a 7 de dezembro, no Cine-Teatro Ouro Verde.
Helena elogiou o ensaio e a disciplina dos integrantes, mas ressaltou que o balé apresentado exige uma maturidade e especialidade impossíveis de serem conquistados em nível de escola. ''Acho que não é necessário todo esse aparato. Essa informação poderia ser repassada através de vídeos e trechos de coreografia em salas de aula. Com os clássicos, sem querer, acaba se estimulando o sonho romântico que não deu certo no Brasil. As escolas precisam refletir sobre isso'', destacou.
Ela também salientou a importância da escola preservar a mesma identidade inovadora e contemporânea do Ballet de Londrina, que faz ''um trabalho de resistência cultural singular, autoral e local''.
No mesmo dia da sua visita à Londrina, à noite, Helena assistiu à estréia do ''Fome'', em comemoração aos 10 anos do Ballet de Londrina. O espetáculo foi apresentado nos dias 9 e 10 de dezembro e volta ser apresentado provelmente no segundo semestre do ano que vem.
Helena achou muito interessante o que viu e valorizou a preservação da identidade de cada bailarino, mas considerou que a obra peca por excesso de informação e apontou a alta qualidade da produção e do elenco.
Leonardo Ramos, coreógrafo e diretor do Ballet de Londrina, valorizou a oportunidade de ter o trabalho avaliado por alguém tão precisa e importante na área da dança. ''É um intercâmbio fundamental.'' Com relação aos 'excessos' de ''Fome'', Ramos considerou que é proposital, mas que foi instigado a fazer um exercício de auto-controle para pensar em criações mais intimistas e ponderadas.
Ramos discorda da opinião de que ''Giselle'' só possa ser feita por companhias especializadas. ''Precisamos fazer esse tipo de trabalho para obter fontes de recursos e criar ponte com diversos grupos da sociedade, muitas vezes formais. Mas a função dela é radicalizar e nos instigar a refletir'', disse. O Ballet de Londrina segue em turnê nacional de 14 de janeiro a 10 de fevereiro. Apresentam ''...à Cidade'', ''Tabu'' e ''Fome'', além de realizarem duas oficinas, de balé clássico e contemporâneo, e uma mesa-redonda sobre a política cultural feita em Londrina.(A.P.R.)





