Heineken Concerts divulga sua programação
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quarta-feira, 03 de março de 1999
Por Mauro Dias 
São Paulo, 04 (AE) - O Heineken Concerts anuncia para 1999 uma edição maior e mais abrangente do que todas as anteriores. As atrações são expoentes do jazz, da música cubana, da música brasileira, da música argentina. Todos de renome internacional. O festival muda de palco. Deixa de ocupar o do Palace (cenário das outras edições) e divide-se entre o Teatro Alfa Real e a casa de espetáculos Tom Brasil. Serão quatro noites no Alfa Real, cada noite com dois espetáculos, entre os dias 7 e 10 de abril; e outras três noites na Tom Brasil, entre 8 e 10 de abril. Uma das sete noites poderá ser apresentada no Rio de Janeiro. A decisão depende de acerto de datas com casas de espetáculo cariocas. A organização do Heineken promete anunciar o resultado das negociações até a próxima semana.
A programação do Heineken Concerts 99 para o Teatro Alfa Real tem, no dia 7, abrindo a noite, o pianista cubano Gonzalo Rubalcaba; o segundo show da noite é do baixista Chalie Haden com o Quartet West, participação especial do saxofonista Ernie Watts. No dia 8, abre a noite o compositor brasileiro Antônio Pinto, autor da trilha sonora do filme "Central do Brasil", que toca com seu parceiro Jaques Morelenbaum e orquestra de cordas. Será a primeira apresentação ao vivo da trilha, que estará saindo em CD também em abril.
O segundo espetáculo terá à frente o contrabaixista Zeca Assumpção, acompanhado por quinteto e tendo como convidado especial o guitarrista norte-americano John Scofield, eleito melhor solista de jazz do ano passado pela revista especializada Downbeat.
A música de Antônio Carlos Jobim conduz a noite do dia 9, ainda no Alfa Real. A primeira estrela é a cantora e pianista Shirley Horn, uma declarada amante da música de Tom. À frente de seu trio, Shirley cantará seis músicas de Tom e completará a apresentação com standarts americanos que, em sua avaliação, pertencem ao universo sonoro definido pela obra jobiniana.
Depois que a bossa nova chegou aos Estados Unidos, nos anos 60, muitos clássicos do cancioneiro de lá foram transportados para ao ritmo brasileiro - encontraram perfeita tradução no sincopado criado por João Gilberto e Tom Jobim. Essa constatação vai orientar o repertório da última grande dama do canto jazzístico.
Depois de Shirley Horn, a platéia do Alfa Real vai presenciar um encontro inédito - mais um dos muitos inéditos que o Heineken Concerts, por definição, possibilita - entre o Zimbo Trio e o veterano saxofonista Lee Konitz. O Zimbo é o conjunto mais antigo a funcionar, no mundo, com a formação original. Há 35 anos - o livro Guiness dos recordes registra - Amilton Godoy (piano), Rubinho Barsotti (bateria) e Luís Chaves (contrabaixo) tocam juntos.
Quando algum esforço coletivo funciona muito bem, diz-se, na expressão da gíria, que funciona "por música" - no caso do Zimbo, é para ser entendido literalmente. E tocar com Konitz, baluarte do saxofone do jazz e um dos músicos que mais influenciaram os saxofonistas da bossa nova, movimento de cuja fundação o Zimbo é um dos pilares, foi sempre um sonho de Amilton, Rubinho e Luís. Feliz de quem possa ver e ouvir a felicidade deles, pelo desejo realizado.
O quarteto do compositor, cantor, instrumentista de todos os instrumentos Pedro Aznar, músico argentino que ganhou mundo e, na qualidade de integrante do grupo do guitarrista Pat Metheny foi vencedor de três Grammys de performance jazzística, abre a noite do dia 10. Depois dele, mais um quarteto inédito: o guitarrista Toninho Horta toca à frente de trio formado pelos norte-americanos Gary Peacock (contrabaixo) e Jack DeJohnette (bateria) e pelo brasileiro Nivaldo Ornellas (saxofone).
Tom Brasil - Já seria um grande festival. Mas há os espetáculos da Tom Brasil. No dia 8, estarão em cena Gilberto Gil, Egberto Gismonti e Jane Duboc. Um encontro rigorosamente inédito, cujo repertório é ainda segredo. Gil e Egberto admiram-se há anos, a distância - não por decisão de um ou outro, mas por circunstâncias. A perfeita afinação de Jane Duboc faz o traço de união.
No dia 9, Havana Velha transfere-se para a casa da Vila Olímpia. Como primeira atração, estará em cena o Afro Cuban All Stars, apresentando o espetáculo Buena Vista Social Club. O espetáculo nasceu de um disco co-produzido (com o cubano Juan de Marco Gonzáles) pelo guitarrista norte-americano Ry Cooder. "Buena Vista"... é nome de uma música do repetório cubano tradicional. O disco ganhou um Grammy, no ano passado, e o show tem viajado mundo. Foi a grande sensação européia da temporada de 1998. Ritmos caribenhos - O Afro Cuban All Stars é uma banda de salão, no estilo dos anos 50. Faz música pré-salsa - ou pré-explosão internacional dos ritmos caribenhos, explosão que resultou numa versão, digamos, para gringo ver, da música cubana. A essa música um tanto estilizada se deu o nome genérico de salsa.
Os integrantes do Afro Cuban All Stars rejeitam o rótulo. Não são salseiros, são soneros - fazem son, a verdadeira música cubana. São velhos guardiães da tradição da terra. São como a velha- guarda de uma escola de samba - seria como assistir a um espetáculo que tivesse Nélson Cavaquinho, Donga, Paulo da Portela, Cartola, Nelson Sargento. E a noite será completada com a apresentação de Company Segundo - outro ícone da velha-guarda - y sus Muchachos. A ver.
No dia 10, a Tom Brasil abriga um happening, sobre o qual saberá quem o assistir. Estarão em cena, cantando e tocando juntos e também separados, Tom Zé, a Banda de Pífanos de Caruaru, o percussionista Marcos Suzano, os violonistas do Duofel, o protomangue beat Otto, o cantor soul Cláudio Zolli e o M4J. Para quem tiver fôlego.


