Hebe Camargo chega aos estúdios do Complexo Anhanguera, onde são produzidos os programas do SBT, por volta do meio-dia - uma hora antes da gravação de seu show começar. Ela desce da Mercedes-Benz preta com toda sua loirice já armada e escovada e o sorriso espremido entre os dentes e estampado no rosto. Distribui beijinhos e comentários do tipo ''mas que olhinho azul mais lindinho'' para sua equipe e desaparece agilmente a caminho do camarim. Destreza que impressiona em uma mulher que acaba de completar 80 anos (ontem). Mas que, por algum motivo, combina com ela.
Já maquiada - ela faz questão de cílios postiços e detesta batom vermelho, revela o maquiador Eduardo -, Hebe recebe a reportagem no camarim para confessar, entre outras coisas, que passou férias e carnaval sozinha. Não gostou. ''A verdade é que faz muita falta ter um companheiro que te queira bem'', diz a apresentadora, viúva desde 2000, quando morreu seu segundo marido, Lélio Ravagnani. Revela também que adoraria ter um programa infantil. ''As crianças me adoram e fazem festa quando me encontram. Vai ver pensam que eu sou a Xuxa.''
Ela atribui sua longevidade à autenticidade com que trata público e convidados. De fato, fica difícil identificar se, nos bastidores, Hebe age como se tivesse meia dúzia de câmeras apontadas para ela ou se, diante das câmeras, age como se não tivesse nenhuma. Sua persona foi muito bem construída como a da mulher rica, perua, mas simples, pé no chão. As joias que ostenta não a distanciam da dona de casa e, ao mesmo tempo, mantêm a apresentadora próxima das altas rodas.
Descendo de um elevador prateado no palco, Hebe leva suas fãs aos berros de ''Linda, linda!'' na abertura do programa. A apresentadora abre sua performance com um ''editorial'' sobre corrupção. ''Pior é que ela vai falar desse assunto mesmo, não tem jeito'', suspira a produtora.
Um dos quadros de maior sucesso, apesar do gosto duvidoso, é o ''Jornal da Hebe'', em que ela divide uma bancada com Celso Portiolli para anunciar notícias bizarras sobre vibradores, homens que quebram dezenas de melancias com a cabeça, e por aí vai. Mas, indagada sobre o atual nível da programação da TV brasileira, justifica suas escolhas. ''A televisão está muito vulgarizada mesmo. As novelas imitam demais a vida, não há necessidade de levar tanta violência às histórias. Realmente, não evoluímos, não, nós andamos para trás.''
Além da TV, Hebe tem se dedicado à gravação de um novo CD, produzido por Guto Graça Mello. Sem revelar muito do repertório, garante que são músicas ''lindíssimas'' e anuncia o próximo passo. Ela quer fazer um DVD. ''Para isso, terei que voltar a fazer shows. Vou amar voltar a Porto Alegre, ao Rio, a Belo Horizonte'', empolga-se.
No final do programa a plateia puxa um ''Parabéns para Você'' mas a loira vai celebrar mesmo seu aniversário na Disney, com 80 convidados que vão de Lucília Diniz a Tom Cavalcante.
- Hebe - Toda segunda às 20h no SBT

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