São Paulo, 21 (AE) - Duas das maiores e mais internacionais bandas de heavy metal do País fazem neste fim de semana o encerramento de suas turnês em casa. O Sepultura fecha a turnê do disco "Against", no Via Funchal. E o Angra encerra a "Fire World Tour 98/99" com show no Credicard Hall. Com o show único deste domingo, o Sepultura fecha também um capítulo ruidoso da história da banda: a saída do vocalista Max Cavalera. Com "Against", o grupo afirmou sua sobrevivência pós-Max, vendendo 850 mil cópias mundo afora (ainda assim, perderam no embate com a nova banda do ex-vocalista, o Soulfly, que vendeu 1 milhão de cópias do seu disco de estréia).
Mas o fato é que não há mais raiva na relação entre as duas partes. Em entrevista na terça-feira, o grupo chegou a destacar o importante papel que a empresária Gloria Cavalera (mulher de Max) teve no impulso internacional da carreira do grupo. Gloria foi o pivô da separação da banda. "Foi por isso que nós começamos a trabalhar com ela, não dá para negar o valor", diz o guitarrista Andreas Kisser. "Mas depois foi um lance pessoal, que se tornou insustentável". Gloria, que agora é empresária do Soulfly de Max, hoje impulsionando só o marido. O Soulfly encerrou sua temporada abrindo turnês do Iron Maiden (com Bruce Dickinson), nos Estados Unidos.
Ainda assim, é impressionante o prestígio que as duas metades do Sepultura desfrutam mundo afora. Com o disco "Roots", antes da separação, o grupo vendeu 3 milhões de cópias. Antes, com "Chaos A.D"., já tinham vendido 2 milhões. Agora, juntando as duas partes, já são quase 2 milhões de cópias
novamente. No Brasil, o Sepultura ganha o duelo (vendeu 80 mil CDs de "Against", contra 60 mil do Soulfly). Segundo Andreas, a banda entra em estúdio no ano que vem para fazer um novo disco. Eles já têm cinco novas canções. Segundo o guitarrista, o grupo deverá tocar uma nova já no show do Via Funchal, como um presente para os fãs. A letra está sendo escrita para isso, mas pode não ser a definitiva. "Talvez esse venha a ser o mais político dos discos do Sepultura", disse.
Também será o disco em que o novo vocalista, o americano Derrick Green, porá efetivamente a mão na massa. Derrick deu idéias de riffs de guitarra e percussão para as novas canções e colabora também como compositor. Em seu último grande show em São Paulo, abrindo para o Metallica (para 50 mil pessoas), o Sepultura foi barbaramente prejudicado pela qualidade do som. O baterista Igor Cavalera chegou a reclamar dos americanos, dizendo que se tratava de uma "banda de m...". "Aquele show deixou muito a desejar", disse Andreas, que eximiu de culpa o Metallica. Ele acha que os problemas começaram com a própria produção do show em São Paulo. "É até por isso que queremos fazer um novo show, fechado, para mostrar do que o Sepultura é capaz", disse Andreas. Metal pesado - Já o Angra está há 13 meses na estrada e prepara um set acústico misterioso para os fãs paulistanos. Seu show é considerado um dos mais pirotécnicos da temporada. A última vez que tocaram em São Paulo, no Palace, fizeram duas noites com a casa lotada - têm tantos fãs hoje na cidade quanto o Sepultura. Serviço - Angra. Sábado, às 22 horas. De R$ 20,00 a R$ 50,00. Credicard Hall. Avenida das Nações Unidas, 17.955, tel. 5643-2500 Sepultura. Domingo, às 21 horas. De R$ 30,00 a R$ 50,00. Via Funchal. Rua Funchal, 65, tel. 866-2300

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