Todo fotógrafo de algum tipo de guerra, seja ela militar ou econômica, enfrenta duas batalhas. A primeira surge no próprio campo, onde coleta o material de seu trabalho. Mas nas galerias de arte que expõem seus trabalhos é que enfrentarão uma feroz oposição daqueles que acusam o produto final de exploração da miséria.
Não é diferente com o norte-americano James Nachtwey, 54, tema do documentário ''Fotógrafo de Guerra'', que o HBO exibe hoje às 22h45. Dirigido por Christian Frei, o filme foi indicado ao Oscar 2002 na categoria, perdendo para ''Murder on a Sunday Morning'', produção sobre Brenton Butler, um jovem norte-americano acusado injustamente por um crime.
Considerado um dos melhores profissionais da área, Nachtwey trabalha para diversas publicações, como a revista ''Time'', e fez parte da agência Magnum. Durante dois anos, ele foi acompanhado em campo pelo diretor suíço Christian Frei, que acoplou microcâmeras na máquina fotográfica de Nachtwey. Mas isso não é o que mais impressiona no filme.
O documentário capta imagens em pleno fogo cruzado em Ramallah (Cisjordânia), mostra o sofrimento de sobreviventes da guerra de Kosovo, em 1999, e acompanha o cotidiano miserável de pessoas na Indonésia.
No filme, o fotógrafo conta que decidiu abraçar a profissão nos anos 70, durante a guerra do Vietnã. ''As fotos que chegavam de lá nos mostravam o que realmente estava acontecendo. Tudo aquilo ia de encontro com o que os líderes políticos e militares diziam. Era uma acusação direta'', diz.
Nachtwey critica a ''indiferença embutida nas pessoas''. ''Se você está fotografando no meio de um conflito, você é uma espécie de negociador da paz, por isso os dirigentes ficam tão incomodados. As fotos fazem as pessoas estarem dentro daquela realidade por alguns instantes; é para isso que existem os fotógrafos.''
Serviço: ''Fotógrafo de Guerra''. Hoje, às 22h45, no HBO.

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