Haruo Ohara de volta à terra natal
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sábado, 16 de abril de 2016
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 
Após 89 anos, o fotógrafo Haruo Ohara "volta" à sua cidade natal, no Japão, de onde saiu em 1927, com 17 anos, para emigrar ao Brasil. O retorno acontece com a exposição "Haruo Ohara: Fotografias", que reúne imagens do acervo do Instituto Moreira Sales (IMS) e passará por três cidades japonesas até dezembro deste ano. A primeira mostra foi aberta semana passada no Museu de Arte de Kochi (cidade onde Ohara nasceu), na província de mesmo nome. Depois, a mostra segue para o Museu de Arte de Itami e Museu de Artes Fotográficas de Kiyosato.
A mostra possui cerca de 400 obras, dentre 180 fotografias e 220 imagens eletrônicas, além de um conjunto com 39 objetos pessoais, documentos, ferramentas e álbuns de família. Numa sala à parte, o curta-metragem "Haruo Ohara", do cineasta londrinense Rodrigo Grota, está sendo exibido diariamente.
Pela primeira vez, portanto, japoneses terão a oportunidade de conhecer vida e obra do fotógrafo que em Londrina trabalhou na lavoura, constituiu família, desenvolveu técnicas de fotografia e morreu aos 90 anos de idade. "A obra de Haruo Ohara vai além de uma produção de caráter documental, pois existe uma dimensão do humano que transcende qualquer registro histórico. Ele construiu significados e expressões em suas fotos que espelham sua visão de mundo de maneira sensível e poética. Isso, sem dúvidas, distingue sua áurea. É preciso dizer ainda que sua obra possui uma estrutura criativa e reflexiva em questão de linguagem de fotografia do período moderno. Por isso, é um artista pleno e refinado", avalia o curador da mostra, Sergio Burgi.
Exposições com grande parte dessas obras já foram realizada em várias cidades do Brasil, incluindo Londrina, em comemoração ao centenário da Imigração Japonesa, em 2008. Desde então, iniciou-se uma árdua articulação para que a mostra fosse levada ao Japão, mas que não se concretizou à época.
No ano passado, porém, com a comemoração dos 120 anos do "Tratado de Amizade, Comércio e Navegação Brasil-Japão", a Embaixada Brasileira no Japão retomou os contatos e, com união de esforços de várias frentes, a ida da exposição se concretizou. "Ainda estamos trabalhando para que as obras sigam para Tóquio no próximo ano. Também há uma grande possibilidade de que a exposição vá para outros importantes países. A obra de Haruo Ohara tem essa característica universal."
Para Chinatsu Kageyama, curadora do Museu de Kochi, a obra de Ohara reúne influências tanto da cultura japonesa quanto brasileira tudo sob um olhar único. "São elementos familiares, a figura de trabalhadores, mas que ganham uma beleza impressionante com a força da construção de imagens de Ohara. Sua forma de utilizar a luz também é bela; em especial quando retrata a esposa Kô, o resultado é algo que se assemelha a Vermeer", compara.
Novo documentário
A vida de Haruo Ohara foi contada no ano passado, ao lado da artista plástica Tomie Ohtake, no documentário "Ultrapassando Fronteiras: Os 120 anos de Japão e Brasil", produzido pela TV pública japonesa NHK, com direção de Kunihiro Sakai. Sakai se encantou com a vida e obra do nipo-londrinense, e agora está produzindo outro documentário, dessa vez mais voltado à obra de Haruo. A nova produção tem previsão de estrear em 22 de maio, no programa Nichiyo Bijutsukan (Museu de Domingo), um dos programas de arte mais respeitados da TV japonesa. Além de trazer entrevistas com críticos e fotógrafos, a equipe acompanhou a visita dos familiares brasileiros à vila de origem de Haruo, Yananose Ishimi, em Ino-cho, Kochi.


