France PresseHarold Robbins e sua ex-mulher Grace em foto de 1977, em Cannes: nos livros, ele gostava de explorar o jet-setO novelista Harold Robbins, que fez crônicas sobre as vidas cheias de sexo e drogas do jet-set mundial dos ricos e famosos, morreu anteontem à noite nos Estados Unidos.
O editor Dick Delson afirmou que Robbins morreu de parada cardiorrespiratória no Desert Hospital, em Palm Springs, na Califórnia, com a mulher dele, Jann, ao lado. Ele também estava acompanhado de duas filhas de casamentos anteriores, Adreana e Caryn.
Robbins vendeu mais de 750 milhões de livros no mundo todo em uma carreira que durou mais de 50 anos. Ele disse sobre os próprios livros: ‘‘Todos os meus personagens são reais. Escrevo sobre eles como ficção para proteger os culpados’’.
Seus leitores sempre estavam ávidos por novos livros, que traziam detalhes das vidas de celebridades como Howard Hughes e Marilyn Monroe, assim como outras figuras de Hollywood e socialites e milionários de Mônaco a Miami.
Os críticos diziam que ele era um ‘‘mestre do clich꒒ e da prosa vulgar, e alguns dos seus últimos livros ‘‘não têm sentido’’. Clichês ou não, os livros venderam mais de 750 milhões de cópias em todo o planeta, e alguns viraram filmes.
Robbins escreveu seu primeiro livro, Never Love a Stranger (Nunca Ame um Estranho), para ganhar uma aposta de US$ 100 com um ex-executivo da Universal Filmes, onde trabalhava, na época.
‘‘Eu era um jovem trabalhando em Hollywood como executivo. Eu já havia feito e perdido meu primeiro milhão de dólares. Apostei com um colega que eu podia escrever uma história melhor que as que o estúdio estava avaliando, na época. Ele falou:‘eu tenho US$ 100 que dizem que você não consegue fazer isso’’’.
‘‘Eu digo o que aconteceu - escrevi um livro chamado Never Love a Stranger, que se tornou best seller e filme de sucesso, com Steve McQueen no papel principal’’, lembra Robbins.
As novelas dele, frequentemente criticadas pelas descrições de sexo e situações de ódio e ultraje, foram traduzidas em 32 línguas.
Em 1961, ele escreveu um de seus livros mais populares, The Carpetbaggers (sem tradução direta para o português, algo como Os Aventureiros Políticos), conto inspirado na vida do bilionário recluso Howard Hughes. O personagem principal chama-se Jonas Cord, mas bem poderia ter o nome de Hughes, tamanha a semelhança. É mais um clássico de Robbins, sobre sexo, dinheiro, poder e drogas.
Ou como o autor uma vez afirmou, ‘‘Sobre quantas coisas mais pode-se falar quando você está escrevendo ficção? Não é uma fórmula. É simplesmente dar ao leitor o que ele quer ler’’. Sobre o excesso de sexo nos livros, Robbins afirmava: ‘‘O obsceno, assim como o belo, está nos olhos de quem v꒒.
Em 1995, ele atualizou a saga de Jonas Cord no livro The Raiders, no qual o milionário ancião percebe que há mais na vida que sexo, drogas, dinheiro, poder e desejo - existe também o amor verdadeiro.
Best sellersEntre os livros mais conhecidos de Robbins estão A Stone for Danny Fisher (Uma Prece para Danny Fisher), que os críticos aclamaram, The Inheritors (Os Herdeiros), Stiletto, The Betsy e The Lonely Lady (Mulher Só). No Brasil, boa parte dos livros de Robbins foram lançados pela Editora Record.
Os livros e filmes dos livros renderam milhões de dólares e um padrão de vida além dos sonhos até do mais bem-sucedido escritor de novelas ‘‘sério’’. Além da mansão em Beverly Hills, Robbins possuía casas na França e Acapulco, além de um iate de 85 pés e mais de uma dúzia de carros de luxo.
Esse padrão de vida é radicalmente diferente do que ele tinha na infância, em um orfanato do bairro Hell’s Kitchen (Cozinha do Inferno) de Nova York. Nascido Frank Kane, em 21 de maio de 1916, seu nome foi mudado para Harold Rubin por seus pais adotivos.
O nome seria mudado mais uma vez pelo editor Alfred A. Knopf. Ele dizia que esse não era bom nome para um escritor, e o alterou para o atual.
Robbins saiu de casa e largou os estudos aos 15 anos, para trabalhar em uma série de pequenos empregos. Balconista de armazém, ele percebeu a grande demanda por comida enlatada, e aos 20 anos se tornou milionário, negociando enlatados.
Houve o congelamento dos preços do açúcar pelo governo norte-americano, em 1939. Isso deixou Robbin com um grande carregamento do produto a altos preços, o que o levou à falência.
Em 1940, Robbins foi contratado pela Universal Filmes em Nova York como auxiliar de almoxarifado. Em seis anos, ele se tornou um dos mais importantes executivos de finanças e planejamento do estúdio, em Hollywood.
Robbins decidiu que escrever ‘‘é mil vezes melhor que ir ao escritório todo dia’’, e saiu do emprego. Seu segundo livro, ‘‘Uma Prece para Danny Fisher’’ (1952), sobre um garoto paranormal que ganhava prêmios de loteria, era baseado em parte na própria vida dele.
Em uma entrevista de 1986, ele disse: ‘‘Não deixarei nenhum manuscrito inacabado. Vou viver até os 200 anos, e escreverei todas as histórias que trago dentro de mim. Ponham na minha lápide: ‘Ele terminou o trabalho e foi para casa’’’.

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