Harley é símbolo de liberdade na américa
HARLEY É SÍMBOLO DE
LIBERDADE NA AMÉRICA
Comemoração em Milwaukee espera 100 mil harleiros para dez dias de festa com música, dança, seminários, jogos e competições
Ednelson Alves
Especial para a Folha Turismo
Ednelson AlvesNo calendárioJohn Roy, 45 anos, de Massachussets: viagem a Daytona é uma espécie de saudação à primaveraViajar por longas e seguras estradas faz parte da cultura norte-americana. Esse parece um hobby que passa de pai para filho. Muitas são as opções no país do automóvel: o espaço de uma van, o conforto de um cadilac ou ainda a comodidade de um trailler. Mas quando a opção é pela liberdade entram em cena as motos. E aí fala mais alto a tradição das Harley Davidson. Há décadas, essas máquinas se transformaram num símbolo das tribos rebeldes. Os harleys são apaixonados por suas motos acima de qualquer coisa. De longe se conhece um membro dessa tribo. A roupa, o sotaque o estilo são inconfundíveis. Muitos estão na casa dos 40 ou dos 50 anos, mas se recusam a levar uma vida normal tipicamente americana.
Eles cruzam o país em grupos em busca de seus pontos de encontros preferidos. Um deles, é a cidade de Daytona Beach, na costa atlântica da Flórida, uma hora a leste de Orlando. Não é por acaso essa atração por Daytona. A cidade é conhecida como um símbolo da velocidade mundial. Foi ali na areia da praia que em 1903 Alexander Winton atingiu a velocidade recorde de 109km/h. Desde o início do século essa relação de Daytona com carros e motos se transformou numa referência internacional. Ali os harleiros se sentem em casa. Durante os encontros anuais, geralmente em março e abril, eles ganham rua exclusiva, espaço para camping, shows de rock e ainda barracas com tudo o que eles precisam: botas, calças, camisetas, coletes e jaquetas de couro, capacetes e ainda os últimos lançamentos em peças e acessório para as motos.
O que é um Harleiro? Richard James, 46 anos, da Geórgia, responde sem hesitação: São pessoas que não se enquadram nessa típica sociedade de consumo em que todos vivem sob o mesmo refrão de que tempo é dinheiro e outras mais. Nossa opção é pela liberdade, estradas e uma Harley. Há quase 25 anos estou nessa e não vejo porque ser diferente ou mudar. É minha opção, minha paixão, minha vida.
Apesar da aparência de maluco beleza, Richard é um tipo agrádavel, fala mansa e quando descobre que eu sou do Brasil ainda solta em tom de brincadeira o tradicional: Welcome to América.
Ednelson AlvesA canadense Marie Klark: viagem na garupa com paradas estratégicasJohn Roy, 45 anos, veio de Massachussets (estado da Nova Inglaterra, na Costa Leste) para ficar uma semana em Daytona junto com outros 50 mil harleiros de todas as partes do Estados Unidos. Ele conta que há mais de dez anos repete essa viagem numa espécie de saudação à primavera. Daytona tem um clima muito especial para nós. A minha viagem demora quase três dias, mas é sempre uma agradável aventura visitar Daytona, a praia e rever esse pessoal de todas as partes. No ano que vem o retorno já faz parte do nosso calendário, diz Roy, com ar de pouca conversa, mas solicito uma foto em cima de sua máquina.
A canadense Marie Klark faz o tipo que chama atenção. Usando uma mini-calça de couro, aberta na frente e atrás, e um biquíni com a cor da bandeira dos Estados Unidos, ela aproveita todo tempo possível para ver se pega uma cor na Flórida. Para quem enfrenta meses abaixo de 20 graus negativos, em Montreal, seu esforço é plenamente compreensível. Despojada, ela conta que viajou na garupa de um companheiro durante mais de três dias, com paradas estratégicas para descanso. Marie diz que adorou toda agitação de Daytona e promete voltar no próximo ano.
Mas o calendário dos harleiros é carregado durante todo ano. Além da Flórida, eles cultuam viajar pela costa litorânea da Califórnia, cruzar a famosa Route 66 de Chicago para Los Angeles, conhecer o deserto do Novo México, as Montanhas do Colorado e ainda as pontes que levam a Key West, na Flórida. Mas há um evento especial para os fanáticos por Harley de todo o mundo: é a celebração dos 95 anos de aniversário dessa legendária moto em Milwaukee, no Wisconsin. O convite é da própria fábrica para uma espécie de volta à casa numa comemoração em que são esperados 100 mil harleiros. A festa começa no próximo dia 13 e vai durar dez dias com música, dança, seminários, jogos e competições.





