"Happy End" inaugura novo espaço cultural em SP
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quarta-feira, 12 de abril de 2000
Por Beth Népoli 
São Paulo, 13 (AE) - A cidade ganha amanhã (14) um novo espaço cultural. Depois de estrear em março na mostra oficial do 9.º Festival de Teatro de Curitiba, o musical "Happy End", dirigido por Marco Antonio Rodrigues, com texto de Elizabeth Hauptamann e músicas de Bertolt Brecht e Kurt Weill inaugura amanhã o Galpão do Folias, no bairro de Santa Cecília, na região entral da capital paulista. E sábado estréia no mesmo local o infantil "Tronodocrono", de Gabriela Rabelo e José Rubens Siqueira, dirigido por Dagoberto Feliz.
Com jeito de superprodução, "Happy End" tem 12 atores em cena, todos cantando e tocando diversos instrumentos musicais na execução ao vivo das canções que foram traduzidas e adaptadas por Rodrigues, Lilian Blanc e Reinaldo Maia. Escrita por uma das principais colaboradoras de Brecht, "Happy End" é uma comédia romântica ambientada na Chicago dos anos 20, na época da Lei Seca. Cinema - O humor crítico - característico do mestre da autora - começa pelo título e perpassa toda a trama: uma história de amor entre o gângster Bill Cracker (Bruno Perilo) e uma comandante do Exército da Salvação, a "mocinha" Lilian Holliday (Renata Zhaneta). A trama divide-se entre uma casa noturna, "fachada de legalidade para o banditismo" e um abrigo do Exército da Salvação, onde é distribuída a sopa para os pobres que Lilian quer tirar "do vício e da bebedeira" para dar-lhes uma vida decente como "empregados de fábricas".
Na concepção de Rodrigues, a linguagem cinematográfica invade o palco, não só nas projeções em um telão, como na interpretação dos atores. "A gente se diverte muito brincando com o cinema americano e seus arquétipos de mocinha e bandido", diz Rodrigues. Mas nem tudo é brincadeira em cena. "O musical aponta para uma época pré-nazista que, infelizmente, é muito parecida com esta que vivemos atualmente", compara o diretor.
A estréia de "Happy End" marca duas parcerias fundamentais na trajetória do Grupo Folias dArte, criado em 1990, cujo primeiro grande sucesso foi alcançado com o espetáculo de rua "Verás Que tudo É Mentira", que estreou em 1995, no Festival de Curitiba. A primeira delas diz respeito ao próprio espetáculo: "Happy End", assim como "Surabaya Johnny", um show apresentado no ano passado no Teatro da Aliança Francesa com algumas canções do musical, foi criado em co-produção com o Grupo Tapa, dirigido por Eduardo Tolentino.
"Parceria que significa não só poder contar com alguns excelentes atores do Tapa no palco, como também com a presença de Tolentino nos ensaios, fazendo críticas e dando sugestões", conta Rodrigues. E ele ressalta ainda a preciosa colaboração da premiada figurinista do Tapa, Lola Tolentino. A outra parceria, igualmente fundamental, veio da Fundação Conrado Wessel, proprietário do espaço que ganhou um projeto arquitetônico de J.C. Serroni e transformou-se em sede fixa do Folias, sonho de toda companhia teatral.
"Já entramos em contato com associações locais e temos vários projetos para a revitalização dessa área do centro da cidade", explica Rodrigues. "A arte só faz sentido se puder realmente interferir para melhorar a vida da comunidade onde os criadores atuam". Serviço - "Happy End". Musical. De Elizabeth Hauptamann. Direção de Marco Antonio Rodrigues. Música de Kurt Weill e Bertolt Brecht. Duração: 2 horas. Sexta e sábado, às 21 horas; domingo, às 20 horas. R$ 20,00. Galpão do Folias. Rua Ana Cintra
213, tel. 3361-2223. Até 11/5


