Sir Anthony Hopkins, o ator galês que tornou visíveis os demônios interiores de Hannibal Lecter, já deu provas mais que suficientes de seu talento - primeiro no teatro inglês, mais tarde no cinema internacional. A popularidade veio com o personagem de ‘‘O Silêncio dos Inocentes’’, agora retomado em ‘‘Hannibal’’. Eis alguns trechos de entrevista dada pelo ator há duas semanas nos Estados Unidos por ocasião do lançamento mundial do filme, e veiculada pela assessoria da Metro.
Como funciona para você interpretar um ser tão maligno como o dr. Hannibal Lecter?
Como já interpretei Hitler e Ricardo III, arquivilões, não tive maiores problemas. Os maus dizem o que não nos atrevemos dizer, fazem o que nunca ousaríamos fazer em nossas pequenas vidas cercadas de segurança: aí está a atração. São seres humanos como nós, mas sabemos que são terríveis por não duvidam nunca e suas certezas são absolutas.
No filme, Hannibal é filmado quase sempre metade na sombra, metade na luz. É para mostrar que no fundo o personagem tem dupla personalidade, que pode ter uma parcela de bondade?
Penso que sim. Neste momento que que estou promovendo o filme, os jornalistas sempre me perguntam se o personagem Hannibal é fascinante. Acho que todo mundo é fascinado por este lado monstruoso do personagem, as mulheres em particular. Porém elas têm vergonha em reconhecer que Hannibal representa simultaneamente a face sombria e a face-luz de todo ser humano. Quando o espectador reencontra o persoanagem, ele é um homem da Renascença, capaz de falar sobre Dante, tocar piano. Mas aprisionado pelo seu lado negro.
Mudou muito sua maneira de encarar Hannibal, nestes dez anos?
Evidentemente. O personagem está mais maduro. Ele sente um imenso desejo por Clarice. Ele a procura, ele a vê, ele é muito protetor. Penso mesmo que Hannibal conhece mais Clarice do que a ele mesmo. Ele é um tremendo psicólogo, e faz o jogo de psiquiatra com ela. Quando ele a aproxima do horror é para libertá-la dos fantasmas.
Hannibal é a encarnação do pior pesadelo para muita gente. Você, particularmente, tem alguma pesadelo que o assombra?
Não, mas tenho um sonho recorrente: estou em cena, perdi meus sapatos e não me lembro de absolutamente nada de meu texto. É o horror e o pânico.

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